08 janeiro 2011
Dois beijos
08 julho 2010
Do primeiro ao último trago
Politicamente correto que nada, dou de ombro com as regras da geração saúde. O que eu quero mesmo é acender mais um cigarro.
Não sou o típico viciado, oscilo períodos entre fumante e não fumante, isso porque o ato de fumar tem de ser prazeroso e não mecânico e involuntário; e fumar é deliciosamente bom.
É até meio suicida eu sei, mas sentir a fumaça invadir o corpo junto com a sensação de alívio (não sei bem do quê) é um prazer a se permitir. Tudo bem que algumas vezes (muitas) o cigarro serve como muleta, na qual eu me apóio em momentos de estresse, fome, desilusão, raiva e principalmente decepções sentimentais.
Curioso, há tempos percebi que minhas recaídas às tragadas geralmente têm como protagonista algum homem. A figura masculina fumando é - na maioria das vezes - extremamente sensual, e eles tragam com uma vontade ímpar; basta olhar alguns caras fumando e minha boca saliva de vontade, e nesse idílio de voyeur perco o controle e acendo “só unzinho” que às vezes é o primeiro de uma sequência.
Vou do primeiro ao mais recente cigarro por eu acesso em um breve relato, com cheiro de tabaco:
O primeiro cigarro a gente nunca esquece, e no meu caso aprendi as técnicas de fumar a fim de provar para um “meu” homem que sim conseguiria aprender a dar uns traguinhos. Ele, maldoso que era, a me ver brincando com um cigarro me disse: “Você nunca vai conseguir tragar, nem adianta tentar”. E claro que a partir dessa sua colocação eu engasguei muito tentando (às escondidas) aprender a fumar, e aprendi. Todo orgulhoso e pretensioso fumei na frente dele (para seu desespero) e não parei por um período considerável.
O último a ser acesso é conseqüência de ter dividido, de brincadeira, um cigarro inocente com um homem que mesmo sem ainda saber eu estava apaixonado. O cigarro nos ligava, e o sabor da nicotina transpassada pelo ar que ele aspirava era delicioso de se ver, muitos foram os cigarros fumados juntos, divididos.
Quando ele não estava por perto acendia um, só para matar a saudade e sentir o vazio que ele deixava ser preenchido pela fumaça quente e espessa do cigarro – nosso elo. E por isso voltei a fumar, para surpresa de muitos, uns poucos cigarros diários (mais noturnos) como o que agora vou acender e fumar pensando em alguém que vale menos que o cigarro apagado, jogado ao chão e pisado casualmente.
29 março 2010
A boca, o hálito e um desejo
Chove, aquela previsível garoa de um fim de tarde qualquer, e úmido e sem sentido ou expectativas mais um dia estéril finda. O observo e concentro meu olhar-flecha em seu mamilo, pensamento libidinoso fora de hora prontamente dissipado pela racionalidade.
De volta ao meu mundinho interior, que se assemelha muito às famosas obras de Dali, sou surpreendido por um olhar quase infantil e a aproximação do jovem de mamilo rosado que tanto me apeteceu. Com certa indiferença respondo seu cumprimento: “Oi” – cansado de tantos com pouco ou nada a dizer, ou o regresso da minha síndrome de diva? Sim, já olhei por cima os mortais que me cercaram, pobre deles que não passavam de sombra borrada no chão diante da minha plenitude em si.
Não bastou o mamilo, o nariz impecável, o rosto talhado em linhas retas e másculas e a atitude em vir a mim; em seu diabólico plano ainda havia uma voz sedutora, um som safado e rouco levemente balanceado que embriaga de imediato.
Eu ainda reticente e ele dá a cartada final, um lance de mestre – ou tudo ou nada – e se explica: “Estava ali fumando um baseado, não era outro tipo de droga não. Só um baseadinho.” Com indiferença brutal apenas balanço minha cabeça, e ele desconfia da minha sinceridade: “Sério, você pode estar pensando outra coisa. Mas era só um baseado, sabe...”
Respondi, tentando quebrar a camada de gelo formada entre nós: “Relaxa, acredito em você”. E ele, não contente em enfiar o punhal, decide que é o momento de revolvê-lo e testar minha resistência: “Vem aqui, pode sentir o cheiro”, faço uma negativa e insisto na frase: “Confio em você”. O menino do mamilo rosado e voz de desejo então pede: “Vem cá, por favor”, aquele “por favor” inviabilizou qualquer reação contrária e então me entreguei ao seu hálito e percebi o desenho delicioso de sua boca. O hálito morno e intenso cheirando a maconha – um cheiro quase gosto e delicadamente mofado. Cheiro de maconha me lembra mofo, sabe-se lá o porquê.
Missão cumprida, ele fez sua parte. E eu... Eu racional senti o desejo vindo daquela boca, mas foi desejo apenas desejo de ele ser desejado. E ele conseguiu, sim, ser desejado veementemente por mim, que por alguns instantes perdi a razão e fui entorpecido por seu desejoso hálito.
23 outubro 2009
O Quarteto da Orgia
Início de madrugada, de uma quinta-feira qualquer, telefonemas breves, passagem rápida para encontrar um dos amigos e saímos com o objetivo de beber uma cerveja – uma só – somos quatro, todos com mais de “trinta”: Um no início, outro no meio, e um representante do finzinho dos 30; o mais experiente contabiliza 41 anos (há pelo menos 04 anos o conheço e sempre a mesma idade, enfim...). Rasgamos a rua, caminhando lado a lado com passos sincronizados bem no meio da via, rindo alto e comentando o noticiário particular em comum.
Vindo na direção contrária um homem, que ostenta o epíteto “Chacal”. Ele olha o grupo, sorri maliciosamente, balança seu corpo e afirma com uma voz deliciosamente lasciva: Vocês hein, o Quarteto da Orgia.
Confesso que ao ouvir a designação me senti como uma prostituta barata, de bota cano longo, minissaia e cigarro na boca coberta de batom vermelho.
Estou seguro de que nunca integrarei uma orgia, sou careta e até um tanto “conservador” – mas o curioso é a percepção do Chacal à lascívia do grupo, que é verbalmente sexual.
Chegando ao “Zueira” (boteco que fica aberto a madrugada toda, todos os dias da semana), o que era a percepção de um notívago se materializa fisicamente.
Ao cumprimentar um amigo, este me abraça forte e me suspende pelas pernas até a altura de sua cintura, de forma violenta e ao mesmo tempo casual.
Os próximos minutos, enquanto a cerveja não acabava, foram sucessões de pequenas perversões:
Expulsão de uma bêbada (mal vista por alguns do grupo), o rapaz preferiu ficar com o Quarteto da Orgia, e falava isso em tom debochado para a rejeitada e inconformada mulher.
Vídeo pornô caseiro exibido para todos. Simulações de brigas por ciúmes, um pênis fora das calças em frente à mesa e todos, e a garrafa de cerveja ainda com conteúdo gelado.
Comentários maliciosos diversos, mordida no queixo, tapas nas coxas, brincadeiras de duplo sentido e olhares, olhares diretos nos olhos, sorrisos tímidos e as vozes dos homens a cada momento mais presentes e embaralhadas, graves e estridentes.
Na primeira sugestão em ir embora me levanto da cadeira e me despeço de longe – com o clássico tchauzinho de miss. Na segurança da minha casa, respirei aliviado pela não realização da profética frase dionisíaca. Perdoem-me as bacantes, mas de dissoluto só tenho a imagem.
30 setembro 2009
Maldade, às vezes, é bom
Mulheres são inseguras, e não adianta fazer careta e dizer: “Que preconceito”, pois a maioria avassaladora das mulheres é insegura sim, principalmente se ela for casada com um homem bonito e este tem um “amigo” gay.
É curioso, as mulheres conseguem ver nos gays o que poucos homens percebem e diante do constatado elas se sentem ameaçadas pela supremacia, afinal (pelo menos no imaginário feminino) nós gays somos: inteligentes, fiéis, sensíveis, divertidos, sabemos dançar, bons conselheiros, bons de cama, influentes, sensuais... E claro, o companheiro dela vai cair de quatro por esta figura tão maravilhosa e a abandonará para sempre, desolada e deprimida. Elas até aceitam uma ou outra traição, mas ser “trocada” por um gay é inconcebível – e elas sofrem por suspeitas banais.
Quando percebo que não estou agradando a companheira de algum amigo mais “íntimo”, de verdade, eu evito ao máximo o contato físico. Mas apesar de ser bonzinho, não sou santo, às vezes me divirto com alguma mulher insegura, se ela é claro deixar muito evidente o descontentamento e de alguma forma me inspirar a maldade. É bom incomodar, ver o ciúme tomando conta do outro, provocar deliberadamente e fazer cara de bem intencionado, afinal somos apenas bons “amigos”. E amigos se beijam, tocam-se mutuamente, falam segredos baixinho, e têm um código linguístico único (Aquelas frases que só um e o outro entendem, mais ninguém, afinal temos uma história pregressa).
A maldade arquitetada é divertida, mas delicioso mesmo é estimular o ódio alheio sem se esforçar, só com a sua presença – e que ela seja naturalmente exuberante.
E mesmo tentando me ignorar, sem nem mesmo conseguir me olhar de tanto ódio contido, é algo libidinoso perceber que a mulher do meu amigo está testando seu autocontrole, mas se perde no abismo de emoções e desconfiança que eu provoco nela. Expressões faciais de descontentamento, alteração na voz, necessidade de trazer seu homem para perto, irritabilidade e afins me proporcionam um prazer sádico quando percebido em algumas inseguras mulheres de amigos meus. Mas o que eu posso fazer, se elas me acham foda?
15 setembro 2009
As horas do moreno da bicicleta
Sou um dos que afirmam que: “A rotina tem seus encantos”, realmente creio que as pequenas alegrias cotidianas nos fazem mais felizes. Mas minha rotina às vezes é abruptamente alterada por algum fato inusitado, assim como na semana passada.
Acredite, nestas circunstâncias nem mesmo consigo olhar no espelho, tamanha ferocidade de traços.
Voltava do mercadinho próximo à minha casa e percebo um rapaz me olhando e descendo de sua bicicleta, no lado oposto ao meu da rua. Ele faz um sinal tímido com uma das mãos e me chama, atravesso à rua em sua direção e nem bem chego ele diz, enfático: “E aí, tá a fim de dar uma chupada?”.
Não assimilei o absurdo de imediato, e sem reflexão alguma respondo: “Mas agora?” – sei que nem sequer deveria ter respondido o rapaz, mas foi instintivo.
Com dores, e diante da insistência do pretendente que apontava um corredor ao lado de um bar a fim de que eu naquele momento saciasse seu desejo (a rua movimentada, repleta de transeuntes), afirmei: “Mais tarde” – fiquei com dó de dispensar diretamente o desesperado, e então encaixei a evasiva.
Ele sobe em sua bicicleta me olha direto nos olhos e diz com segurança: “Dez horas, dez horas aqui.”, nem tive tempo de esboçar qualquer reação, ele sumiu velozmente sobre duas rodas.
Nem mesmo consegui rir da situação, pois a dor abdominal era colossal, e continuei a caminhar com destino ao meu sofá e um programa qualquer de TV.
Óbvio que não apareci no horário marcado (por ele), e sigo tranquilo minha prazerosa rotina até que alguns dias depois do incidente, indo ao mercado (coincidência irônica) encontro o mesmo rapaz, a mesma bicicleta, uma nova/igual proposta...
Neste segundo “encontro” o relógio marcava 19 h 02 min; o que confirma a máxima: “A rotina tem seus encantos”.
05 agosto 2009
Ela me faz sofrer
Coleciono, ao longo de minha vida, amores mal resolvidos. Não que eu seja um romântico à procura do verdadeiro amor, pelo contrário. Eu fujo e me escondo deste sentimento tão bonito na teoria e completamente complicado na prática. Algumas vezes eu me apaixono; é quando o amor bate à porta, porém ao ouvir as batidas insistentes eu as ignoro – sempre.
Mas o amor é um sentimento chato e, não contente em bater à porta, ele dá com os pés nela e me invade por inteiro. Resultado: Fico bobo com qualquer mortal apaixonado, com direito a suspiros, olhos úmidos, projeções e auto-estima zero. Sem os excessos do amor a vida é mais simples, a racionalidade é confortável, mas fazer o quê? O amor me procura, e não só aquele cara diferente de todos os outros é capaz de me deixar frente a frente com meus sentimentos, ela também assim o faz. Sim, uma mulher me faz sofrer de amor, a Ana Carolina é responsável por eu revirar amores gastos já guardados em alguma gaveta.
Suas letras erguem meus sentimentos sepultados, sua voz me entorpece e me faz querer amar. No abismo das emoções eu me jogo.
Minha vidinha estava tranqüila, sem os problemas afetivos comuns, mas ela resolve lançar novo CD, e já nas duas primeiras músicas eu me entrego total e completamente. Sofro, choro, a voz embarga, os olhos marejam e volto a acreditar no amor como aquele adolescente que a cada encontro vislumbrava um "felizes para sempre" e acreditava na felicidade a dois.
Revivo cada amor não resolvido, cada pacto quebrado, todos os homens que não seguraram minha mão na hora da queda, enfim...
Enquanto revisito meus sentimentos ela me acompanha, e mesmo doendo amo o que a Ana Carolina me faz sentir. Sofro, mas gosto.Canta Ana, destrói o muro que me cerca, e faz eu me entregar ao amor em mim.
16 julho 2009
Na fila da padaria...
O que para a maioria é coisa comum, sem importância, ganha contornos curiosos quando o protagonista sou eu.
Ir à padaria. Será possível se divertir indo até a padaria comprar pães? (especificamente oito, e bem branquelos). Sim é divertidíssimo, primeiro porque dificilmente eu vou só, há quem me ligue para combinarmos de irmos juntos, outros me esperam nas ruas de acesso; e no horário aproximado de minha ida sempre alguém pergunta: “E aí, já foi na padaria?” – é estranho, mas também engraçado.
As funcionárias, todas, conhecem minha preferência por pães claros e fazem uma pequena festa quando me vêem, afinal eu aproveito a fila para exercer a troca de informações e também para avaliar os espécimes masculinos presentes. Em minha mais recente ida à padaria fui acompanhado da sempre presente Lili e da Ana Elisa – uma garota de 14 anos, evangélica, com talento para a arte cênica e uma fã confessa minha. Vai entender! Na fila dois adolescentes – surpresos e curiosos – observam o estranho trio e paqueram a jovem evangélica, que interpreta estar constrangida com os absurdos que pulam das bocas minha e de Lili. Não, não discutíamos a situação econômica do país, ou outro qualquer assunto, falávamos sobre homens, é claro.
Distraidamente observo um homem (alto, negro, imponente, ‘não era belo, mas mesmo assim...’) olhando fixamente à Lili – como costumo dizer: “Ele estava ‘galinhando’ minha amiga”. Virei para ela, que já havia percebido a intenção do homem, e a cumplicidade em nosso olhar foi definitiva – rimos e continuamos a “galinhar” o cara que estava na nossa frente, sem perder as expectativas de chegar mais uma vítima para engrossar a fila. Na saída ficamos de frente com um rapaz que já foi alvejado por nossos olhares e insinuações diretas (uma pena que a mulher dele estava logo atrás e percebeu tudo), ele ficou surpreso, e nós claro demos em cima – só para não perder o hábito.
Paezinhos em mãos, já indo embora avistamos a negão que, mais cara de pau que nós, estava olhando fixamente, segurando a porta do carro, e continuo olhando, olhando, olhando e nós gentilmente retribuíamos os olhares em solidariedade, e riamos muito do inusitado.
É fato, ir à padaria, próximo das 18 h 30 min, pode sim ser um programão com direito a diversão, romance e surpresas.
Depois disso tudo vou tomar café, e comer um saboroso pão com muita margarina Qualy.
20 junho 2009
Gays, homens, sexo e 10%
Recente pesquisa, realizada pelo Ministério da Saúde afirma que 10% dos homens brasileiros já tiveram, ao menos uma, relação sexual com outro homem. Este índice ficou na minha cabeça: 10%, 10%, 10%, 10%, 10%, 10%, 10%... Apesar de ser reticente quanto a pesquisas o número serve para apontar que os homens estão mais caras de pau e assumindo suas práticas realizadas, na maioria das vezes, no mais absoluto anonimato. A realidade – a minha é claro – é outra e este número é enormemente maior.As românticas inveteradas devem parar de ler este texto (agora) e continuarem à espera do homem ideal. Se você continua lendo, a responsabilidade pela perda do encantamento é sua, a verdade é que o número de homens que transam com gays é muito maior.
Eu mesmo me surpreendo com alguns casos, homens “de família” de comportamento tipicamente masculino fazem sexo com homens sim; e a prática não se restringe à faixa etária mais jovem - aberta a aventuras e com testosterona aos borbotões – tem para todos os gostos e desde os novinhos até aos já idosos as brincadeirinhas rolam solta.
O casamento (instituição sagrada e exclusiva aos heterossexuais) não é garantia de fidelidade e não realização de prazerosos encontros entre meninos, são tantos os casados que se relacionam com gays que arrisco a dizer que os casados são mais frequentes que os solteiros.
Mas a questão dos HSH – Homens que fazem sexo com outros homens (não necessariamente que eles sejam gays), além de ser um terror para a ala feminina também afeta em cheio os gays. Apesar de até existir, no inconsciente coletivo gay, um código de conduta ao se relacionar com homens não-gays é crescente uma modalidade: Os “dadeiros”, e estes confundem as relações. Na maioria dos casos o homem desempenha o papel social masculino, são denominados como “ativos”, mas há esta nova denominação, explico:
Os “dadeiros” não são gays, eles apenas gostam de ser penetrados por outros homens, e não têm culpa ou questionam o ato. Eles apresentam os estereótipos típicos dos homens e, acredito eu, não cogitam viver uma relação afetiva com outro homem, a questão é só sexual (mais precisamente, anal).
O problema é que os acertos em um primeiro encontro não são claros e objetivos o bastante, e aí um gay assumido pode se decepcionar ao acreditar que vai encontrar um homem para chamar de seu e na hora “H” ser ele o doador de falo. Para quem é “total flex” a questão é facilmente resolvida, mas há quem é mais tradicional e desempenha apenas um papel sexual.
Seria engraçado se não fosse constrangedor, mas assim são os novos arranjos sexuais que caminham para uma total liberdade de sentir. A bissexualidade, a meu ver, será a definição das novas gerações, acho bom, acho digno, acho correto, afinal somos seres que amam.
E amar não deve ter barreira alguma, muito além da casca o que vale é o que o outro é em si. Amai-vos uns aos outros. E voltando aos 10%, apesar de ser um número consistente, acredito que se eles fossem sinceros teríamos pelo menos 83,7% de homens que já tiveram relações sexuais com outros homens, mesmo que apenas “umazinha”.
10 junho 2009
Exercitando o outocontrole
Em uma quadra esportiva localizada no bairro Santo Antonio acontece evento carnavalesco, e claro lá estou eu. Não é necessário enfatizar que é o programa que mais me atrai e realiza.O samba, batucadas, gente disposta dançando, e a sensação dúbia de estar em um lugar no qual você conhece pouquíssimas pessoas é algo que realmente me excita. A vontade de confirmar a felicidade é presente, constante e inevitável. Ao som de uma bateria de escola de samba os quadris são possuídos por uma vontade (ancestral africana), própria e latejante. Respiro fundo, olho ao redor e decido não sucumbir ao chamado. Vou manter a postura e não me jogar no samba. O som invade a cabeça, embriaga, o corpo se movimenta involuntariamente, pés se afastam do chão, leves ondulações se formam dos ombros aos quadris – resisto!
Não, não posso, hoje não vou suar ao som de nenhuma bateria. Retomo o comando das coisas e fico naquele passinho, um pra lá um pra cá, nada comprometedor.
Eis que a cerveja gelada dá ânimo ao meu amigo, que só para contrariar as estatísticas começa a dançar, sorrir de alegria, totalmente contagiado pelo som dos tamborins, ritmo forte dos surdões e delicadeza dos agogôs.
E ele se jogou, sambou, suou e se divertiu mesmo – e todo excesso comparado é pouco.
Já me sentia vitorioso, mas a tentação não era apenas sonora e o exercício de autocontrole continuou nas veredas masculinas.
O que era aquele menino, de seus vinte e pouquíssimos anos? Lindo, uma delícia – olhos fechadinhos, baixinho, arrumadinho e dançava como deve dançar um homem (desajeitado, devagar e sempre com uma cara de satisfação). Controlei meus instintos, e resisti à vontade de suspirar em seu ouvido que ele era a coisa mais deliciosa da noite; e claro agarrá-lo e dançar junto. Vencida mais uma etapa, não a última.
Na contramão do “quase-perfeito” ainda suportei as provocações de certo homem, daqueles que fazem o estilo largado, soltinho, simpático – quando o vi veio à mente a frase: “Pego, não me apego”. Ele ia e vinha, esbarrava, olhava, dançava e se fazia notar – a qualquer custo.
E ele não precisa fazer muito para ser visto, afinal é alto, negro, cheio de amigos e dança como que guiado por um demônio. Racionalmente agi e deixei para trás a oportunidade de colocar o pé na senzala e quem sabe adotar mais este segmento ao meu cardápio; autocontrole.
E como tudo tem limites, sucumbi à necessidade primordial de me alimentar. Em casa comi lentamente e, entre uma garfada e outra, questionei se foi bom ou não vencer aos variados desejos do corpo.
04 junho 2009
Eles sempre mentem
Sim, os homens mentem (descaradamente e sem remorso), mas o pior é que nós gays e mulheres acreditamos.Deve ser alguma questão genética, talvez o gene da idiotice, mas sempre cremos que, desta vez, ele é diferente e sincero. Reitero com veemência: ELES MENTEM; não se engane incauto leitor, pois se ele ainda não mentiu para você tenha certeza que logo ele vai mentir, iludir, enganar e se divertir com a situação.
E a mentira pode ser consolidada frente a frente, sem nem um mínimo resquício de culpa; ou por vias facilitadoras como o telefone e a internet, sim o território virtual é ideal para mentirinhas bobas (ou não) e aquelas historinhas que a gente sabe de cor, e fingimos acreditar. Desculpas esfarrapadas, rotas e sujas também são avolumadas com uma dose cavalar de mentiras.
Cansei, acredite quem quiser, e a partir de agora não mais acreditarei nos floreios saídos docemente dos lábios de um homem.
Mentira, mentira, mentira, sempre é uma mentira, afinal eles vivem em um universo de falsidades onde nada é o que parece ser.
Abriu a boca, tocou no teclado, já era...perdeu. Cale-se, vai mentir para outra/o.
26 maio 2009
Domingo: Futebol e a delicadeza de Fabiana
O sol iluminando o domingão convidava para uma tarde à beira de um campo de futebol. E antes do início da partida do primeiro quadro do “Amador” estava eu na várzea, recepcionado pelas boleiras Fernanda e Carine.A partida de futebol estava sofrível, mas a qualidade física dos jogadores era inquestionável; de tirar o fôlego o desfile de corpos suados e bem planejados. Entre os destaques, uma criatura moldada com a perfeição da arte grega e seu ideal de beleza.
O que era aquilo? O negro da sua pele, a curva precedida por dois “furinhos”, e as costas mereciam premiação na categoria melhor design. Eu, que não tenho o pé na senzala, não me incomodaria de viver alguns momentos Carlota Joaquina.
Respirei fundo, voltei ao meu padrão (pouquíssima melanina), e salivei inúmeras vezes vendo “O Rei”, uma mistura perfeita de cor, pelos, suor, músculos e uma dose de timidez. Virei súdito, e não consigo esquecer até agora do “Corpo da Rodada”, eleito por duas semanas consecutivas. Fim de jogo, mas não fim de programa.
Nem sequer desconfiando para onde ia, estava agora percorrendo algumas ruas labirínticas no bairro Areião (só fiquei sabendo que se tratava desse bairro quando já estava reconhecendo terreno).
Eu, Fabi, Julio César – marido/amigo da Cá, Fernanda, Carine e Dora (uma quarentona, farta de carnes, lasciva em excesso e obviamente levemente alcoólica) fomos convidados à mesa de um casal amigo do Julio.
A casa, extremamente simples, pareceu-me de uma grandeza ímpar. Essa boa impressão foi fruto dos cuidados de Fabiana, a anfitriã, que com seu gestual rápido e delicado transformava a pequena casa em um palácio.
Mesa posta com os melhores utensílios, sorrisos, atenção especial com os detalhes e o alimento oferecido, temperado com um carinho diverso e verdadeiro aos meus impressionados olhos.
Como uma gueixa, em um corpo tropicalmente brasileiro, Fabiana sem alvoroço cuidava de tudo e exercia a arte de receber com maestria. Algumas vezes provocada a ser um pouco mais mundana e mostrar suas formas conosco no carnaval Fabiana enrubescia e timidamente declinava do convite. Maldade nossa, afinal é dentro daquela casa simples na companhia de um marido exuberante e suas filhas que Fabiana se sente mulher, feliz e esconde no canto dos lábios uma sede ariana por trás de toda delicadeza e resignação.
26 março 2009
05 tipos ideais para se quebrar a cara, no amor.
Sou especialista no assunto - stricto sensu – assim como uma enormidade de pessoas, a diferença é que tenho consciência dos meus deslizes amorosos.E em tempos de crise mundial, transição de governo, início de outono, falta de emprego e férias forçadas da faculdade resolvi arrolar situações vividas na atualidade que são certeza de desilusão, vamos à lista:
1. Se interessar por um cara lindo, transeunte mesmo, alto, moreno, nariz irretocável, ar sério, olhar perdido...
Depois de analisar o layout enfim buscar informações: Encontrar um conhecido comum e por meio dele descobrir algumas pequenas, mas úteis, informações e o link para o perfil no orkut do gato.
Putzzzzzzzzz...Hétero até os ossos, evangélico, muito mais novo do que você imaginava, desesperado em busca de uma companheira “de Deus”. Faça o sinal da cruz, dê meia volta e esqueça.
2. O clássico homem casado, mas no meu caso há uma variante, ele não só é casado, tem apenas duas décadas de vida. Ele largar a previsibilidade da vida conjugal padrão para ficar com você é tão difícil quanto achar uma esmeralda em um saquinho de jujuba. Bola pra frente!
3. Bêbado freqüente, drogado esporádico, delinqüente, ovelha-negra da família - o típico perdidinho.
Este tipo desperta seus instintos maternos, seja você mamãe ou não, ele é apontado por todos e o seus defeitos são evidentes, mas...
Mas quando ele está ao seu lado ele “muda”, vira um inocente incompreendido à procura de carinho. Não escute mais uma palavra, dê um beijo na testa e corra, corra, corra. As oscilações de comportamento não o deixam nem sequer iniciar uma relação, e provavelmente ele está te usando para reafirmar a posição de incompreendido e amaldiçoado pelo mundo, você faz parte do pacote de coisas que fazem da vida dele um lixo.
4. Amigo: a conversa é ótima, ele tem um excelente humor, dividem o mesmo cigarro e copo de cerveja, riem muito juntos e o abraço é forte e acolhedor. Não se engane! O que para você é um quase-conto de fadas é para ele uma banalidade, abra os olhos esta afinidade é comum a todos.
Apaixonar-se por um amigo é sufocante, afinal o dilema amizade/amor está presente e com certeza você não vai ser a metade da laranja dele e ainda vai se sentir constrangido e deslocado junto a ele.
Agora basta um aperto de mão, respirar fundo e olhar ao redor, quem sabe para algum amigo dele?
5. O perfeito, o homem ideal feito para realizar seus sonhos e preencher seus vazios, mesmo se você souber de tudo isso apenas olhando ele passar, ao longe. Sem esquecer de que ele é lindo, lindo, lindo de doer.
Seja realista e se auto-analise, afinal você merece tudo isso?
Será que você é a pessoa ideal para ele, ou mesmo para outro? Para dividir a vida com alguém tão especial, no mínimo, você tem de ser também uma pessoa especial, linda, fofa, inteligente, bonita, bem-humorada, resolvida, popular...
Se o cara é perfeitinho é melhor não se enganar, a não ser que você seja tão perfeito quanto ele.
