
O amor é para sentir, não há o que explicar.
Mas, complicado que sou, não perco a oportunidade de teorizar o amor e decupar esse sentimento que por mais que eu tente fugir sempre me alcança e me lança na cara o quão vulnerável eu sou.
A tarefa de descobrir os "porquês" do amor é acompanhada, muitas vezes, pelo travesseiro que atravessa minha efervescente imaginação: conexões, modelos, padrões, estilos, similaridades, devaneios, dúvidas e vacilos.
Sozinho busco freneticamente a linha que permeia meus relacionamentos amorosos, desde a mais primaveril lembrança até o avassalador romance da última noite. Essa linha também costura minhas histórias de amor formando um tecido roto, delicado, valioso e único; tecido que serve de manto, tapete, lençol, que me aquece, desnuda e é um quase objeto daquilo que vivi. O resultado de minhas considerações acerca do amor é aquele mesmo abismo, as perguntas ficam sem respostas e só restam manchados sorrisos e as mãos a que me rendi. O cheiro de cada homem que amei é mais forte do que qualquer racionalidade, e na contagem de acertos/erros sempre resta a esperança e o gosto do beijo negado. Que bom seria se fosse o amor uma simples equação: "um apaixonado + objeto do seu desejo = amor eterno", mas a prática amorosa tem outras normas e são leis que não cabe ao apaixonado entender, pois o amor se define em si.
Ele não cabe
