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06 maio 2014

Sobre sua felicidade




Aproximadamente oito meses, é esse o tempo em que a gente não mais se encontra. As risadas de antes dão espaço para um desconforto e desejo reprimido quando te vejo e finjo que não (é algo físico que chega mesmo a incomodar). Os poucos abraços que me deu, depois de me arrancar da sua vida, apesar de verdadeiros só me causavam medo e uma sensação de perigo iminente. Mudei meu itinerário a fim de não te encontrar por acaso, evito pessoas que possam falar de você; mas nas madrugadas ainda olho para o seu portão com expectativa suicida te ver e quem sabe - mais uma vez - bagunçar sua cabeça e atrair suas mãos. Desisti de você para realizar sua vontade, acreditei que a distância ia trazer minha ausência e esta seria tamanha que você desistiria do seu projeto de vida medíocre e voltaria a querer meus olhos nos seus - engano ingênuo de um romântico às avessas. É triste saber que você está bem, que os nossos planos são apenas seus e que consegue caminhar sem olhar para trás ou sentir a falta da minha mão segurando a sua e meu olhar cúmplice te falando: “Vai dar certo”.
Queria te encontrar aos farrapos, bêbado e sujo choramingando meu nome e maldizendo meu desamor; confesso que sua queda mesmo causando enorme dor ao menos justificaria a minha. Dar sentido a este meu amor ao te olhar nos olhos, me ajoelhar e me juntar à sarjeta em que se encontraria e então me misturar a você saboreando sua dor e te alimentando com o que ficou de mim com sua ausência.  
Não, não estou suficientemente preparado para te ver feliz...
Mas ela, a felicidade, é sua companheira e zomba de mim; resta-me agarrar com raiva os pés do tempo que não tem aliviado minha dor e maltrata ainda meus sentimentos, afinal mesmo o tempo não é mais cruel que você – e é nele que deposito o que sobrou de esperança.
Talvez um dia, não agora, eu possa encontrar um novo sorriso e até quem sabe aquelas caretas que me irritavam e faziam rir; por enquanto sua sombra me pertence e sobrevivo sem saber para onde ir – culpa sua que me mostrou o caminho, mas me abandonou aos perigos da noite fria e foi em busca do sol. Seu sol sou eu, e qualquer lume pode talvez te indicar um novo horizonte, mas este nunca vai te bastar uma vez que sou eu o seu paradeiro.
Vives hoje errante, e eu apenas sobrevivo das lembranças daquilo que um dia fui. E sem minhas asas não faço ideia em que direção seguir porque todos os caminhos me levam a você.

13 dezembro 2012

Vodka no copo e apagão no cérebro


Sempre desconfiei, e até mesmo agredi, quem depois de um porre fazia uso da prerrogativa popular e etílica conhecida pela afirmativa: “Não lembro de nada disso”. Porres homéricos integram meu curriculum e em nenhum deles este lapso de memória se fez presente, acreditava eu que era desculpa das mais sacanas para não assumir os atos, afinal a frase feita “A bebida entra a verdade sai” serve de argumento irrefutável para mim; e assumir desejos nem sempre é confortável. A bebida é uma excelente desculpa para encorajar atitudes escondidas em forma de vontades guardadas nos escaninhos submersos no negrume do nosso inconsciente. 
E eis que em uma segunda-feira, por volta das 3 da manhã, um desejo enorme por chocolate me invade. Na falta de um bombom, ou mesmo uma barra, decido então acompanhar um meu amigo num brinde com vodka e energético - mais vodka por favor porque isso está fraco demais.
Evidente que me diverti e ri muito, bem além da normalidade idiotizante que faz parte de todos meus encontros com amigos, coleguinhas ou seja lá o que forem aqueles que me cercam.
Mas sempre tem o “o outro dia”, e confesso que não apenas um incômodo estomacal me acompanhou por horas e horas, mas também ausência de memória. Sim, alguns fatos acontecidos na noite anterior se faziam presentes de maneira diáfana e outros simplesmente se apagaram da minha mente etilizada. Pensei em memória seletiva, mas não. De verdade me senti entregue e com um enorme ponto de interrogação a cada cena que vagava em minha cabeça, mas no fim das contas nada de mais eu fiz; porém a sensação de esquecimento é brutal e a perda de consciência dos meus atos me causou ansiedade e inquietação.
Submerso em uma vida de clichês é claro que prometi nunca mais nesta vida beber de novo, e de forma previsível dois dias depois estava eu com um copo na mão, mas de agora em diante com moderação, acredito eu.

19 março 2009

A saideira, ou será a caideira?

Após um longuíssimo período longe das bebidas alcoólicas (por motivos gástricos) resolvi que era hora de voltar a me embriagar, de leve, era a intenção.
Mergulhei fundo no copo de cerveja e senti os benefícios de estar alcoolizado – melhor dizendo, BÊBADO.
Tinha esquecido como é divertido e prazeroso sentir o álcool, pouco a pouco, invadir o corpo, a mente e alterar a percepção das coisas. O mundo fica mais colorido, os homens mais bonitos e o som da minha voz ainda mais alto, sem contar as risadas mais freqüentes – sim isso é possível.
Em minha atual incursão no mundo etílico jái pelo menos uns 7 dias de entrega total, uma maratona diária de pelo menos umas cinco horas em companhia de muita cerveja.
Um dos argumentos de que a alegria etílica facilita as relações humanas eu confirmo com veemência, mas as questões afetivas e provável queda no nível de critério para novos parceiros comigo não funcionou.
Mesmo já lânguido e sinuoso nos movimentos eu continuei firme e forte nos meus propósitos mais íntimos, ainda não chamei urubu de meu louro e urubu também não virou frango.
Uma gelada é realmente fonte de prazer e estar em comunhão com os bêbados amigos é muito bom, afinal você está desequilibrado como os outros e qualquer vacilo tem uma conhecida justificativa.
Bebo mesmo é parar ficar bêbado, nada de beber socialmente.
O negócio é se entorpecer e sentir que o controle não mais está todo em suas mãos existem outras boas mãos, talvez guiadas por Dioniso/Baco.
O desconforto gástrico não mais faz parte da minha rotina ébria (até quando?), enquanto isso se for beber enche logo meu copo e vamos brindar porque beber sem brindar é um ano sem dar.
E para a bebedeira ser de primeira, de acordo com os preceitos notívagos meus, tem de acontecer em pelo menos dois tempos e uma prorrogação, é claro em bares diferentes que é para analisar a temperatura da cerva e também da macharada.