Coleciono, ao longo de minha vida, amores mal resolvidos. Não que eu seja um romântico à procura do verdadeiro amor, pelo contrário. Eu fujo e me escondo deste sentimento tão bonito na teoria e completamente complicado na prática. Algumas vezes eu me apaixono; é quando o amor bate à porta, porém ao ouvir as batidas insistentes eu as ignoro – sempre.
Mas o amor é um sentimento chato e, não contente em bater à porta, ele dá com os pés nela e me invade por inteiro. Resultado: Fico bobo com qualquer mortal apaixonado, com direito a suspiros, olhos úmidos, projeções e auto-estima zero. Sem os excessos do amor a vida é mais simples, a racionalidade é confortável, mas fazer o quê? O amor me procura, e não só aquele cara diferente de todos os outros é capaz de me deixar frente a frente com meus sentimentos, ela também assim o faz. Sim, uma mulher me faz sofrer de amor, a Ana Carolina é responsável por eu revirar amores gastos já guardados em alguma gaveta.
Suas letras erguem meus sentimentos sepultados, sua voz me entorpece e me faz querer amar. No abismo das emoções eu me jogo.
Minha vidinha estava tranqüila, sem os problemas afetivos comuns, mas ela resolve lançar novo CD, e já nas duas primeiras músicas eu me entrego total e completamente. Sofro, choro, a voz embarga, os olhos marejam e volto a acreditar no amor como aquele adolescente que a cada encontro vislumbrava um "felizes para sempre" e acreditava na felicidade a dois.
Revivo cada amor não resolvido, cada pacto quebrado, todos os homens que não seguraram minha mão na hora da queda, enfim...
Enquanto revisito meus sentimentos ela me acompanha, e mesmo doendo amo o que a Ana Carolina me faz sentir. Sofro, mas gosto.Canta Ana, destrói o muro que me cerca, e faz eu me entregar ao amor em mim.