08 janeiro 2011

Dois beijos


Distintos: um à luz do sol o outro sob o escuro da noite, ambos tão verdadeiros e inocentes que quase me culpo da lembrança das bocas em minha pele. Beijos sem línguas, carinhosos, explícitos e com um quê de infantis - ou não.
Ao me ouvir dizer: “Olha só, o homem mais lindo...”, ele se fez todo sorriso e me arrastou com seus olhos, um abraço apertado e o beijo no rosto. Tão banal o ato, mas fora como se o mundo parasse naquele instante, nada mais importava, só a boca dizendo que eu era sim indispensável. Retribui o beijo, e o primeiro pensamento que me veio à cabeça quando enfim começamos a falar foi a última notícia que tive dele. “Ele chegou e foi logo perguntando: ‘Onde está o meu amor’, silêncio e ele arremata dizendo que o amor dele era você”, assim me contou meu amigo Tuca, em um misto se esperança no improvável e deboche para com os outros presentes à cena. Certo que me apaixonaria por ele, mas as circunstâncias todas vão de encontro ao “nós” – esse amor delicado exibe certa palidez. A nuca, surpreendida pelo toque da boca – tantas vezes já desejada – o inevitável arrepio e a surpresa ao encontrar o rosto tão familiar a meus pensamentos junto ao travesseiro.
Finjo certa indiferença, e ameaço com alguma piadinha vazia, mas a nuca e o corpo todo sentindo ele inteiro em mim. Ele me olhava, como quem quer restituir um tempo (aquele) perdido. Com a atitude desmedida e indiferente a todos, meus e seus amigos presentes, ele queria mesmo é mostrar que pode ainda ser mais do que um outro qualquer amigo – percebo vaidade e arrependimento. Busco inconsciente, e brincando, o seu corpo: o peito, braços e até resvalei na sua mão. O beijo foi como um pedido ou mesmo uma pichação no muro, na qual se lê: “Volta a gostar de mim...” Dois beijos, dois homens, uma certeza: O amor tranquilo, que ainda não vivi, é possível e quando (e se) chegar vai encontrar as portas abertas e perfumes a envolver.

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