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21 dezembro 2009

Casamento meu

Há tempos a questão do casamento me perturba, e após ver (por meio de imagens) a alegria manifesta da minha amiga Rê Rolim Prudente e descobrir algumas peculiaridades especiais e únicas acerca de seu casamento esta ideia casamenteira me toma, de novo, por completo. Confesso que não sou uma pessoa “fácil”, e dificilmente encontrarei alguém insano o suficiente para querer dividir sua vida comigo, mas sigo em frente na expectativa de uma vida em comum ao lado de um homem que eu ame e que me ature.

Relembro antigos relacionamentos e tenho convicção que perdi duas excelentes oportunidades, mas eram as pessoas certas (mas nem tanto) no momento inadequado.

Aprendi com eles a ter crença no casamento, esta instituição que dizem falida e fora de moda; mas quero e vou casar – otimismo ajuda.

Estou disposto a tentar unir meu complexo universo ao modo de vida do outro, mesmo com os dissabores que estão por vir. Mas quem disse que seria fácil? É evidente que encontrar a alma gêmea, príncipe encantado, tampa da panela, metade da laranja, sapato gasto para meu pé cansado seria encantador, mas consciente da minha balzaquiana situação e da racionalidade minha sei que o ser amado é humano. Ele até pode ser lindo, fofo, inteligente e bem humorado, todavia terá defeitos, manias, medos, vontades, histórico pregresso de relacionamentos, e o pacote completo e complexo de qualquer pessoa comum – não idealizada. E que venha a realidade então.

Mas para embarcar na aventura chamada casamento é necessário (obsessão crucial e irreversível) um personalizado ritual, acho lindo o ritual casamento e já desenhei o meu na minha cabeça pensante e confusa. Não conto detalhes para não estragar a surpresa, quem sabe você está na minha lista de convidados? Já tenho uma pré-lista das pessoas que vão estar comigo nesse momento de realização, os padrinhos e madrinhas também já estão pré-definidos. Vai haver água, a água será testemunha da minha união, e meus pés estarão descalços; mais não divulgo!

E enquanto eu não esbarro no ser amado, aquele que estará de mãos dadas comigo no grande dia eu vou me ocupar em produzir o roteiro detalhado do casamento meu, para facilitar o cerimonial e, quem sabe, adequar às necessidades e vontades do outro. Discutiremos juntos qual será a música do nosso casamento, ansioso para saber quais serão as músicas, que segundo ele, combinam com o nosso amor. É, o gosto musical tem de ser minimamente compatível, senão não caso. Já pensou ele ser fã de dupla sertaneja, funk carioca ou banda Calypso e afins? Melhor nem pensar.

12 novembro 2009

Meu mamilo esquerdo dói

Puxões de cabelo, mordidas, contato físico violento, arranhões e afins; sexo às vezes deixa marcas, desconforto muscular e um pouco de dor.

Tentando evitar a lascívia, não comentarei as aventuras de uma noite com uma pegada mais forte; todavia meu mamilo dói e me faz lembrar a última transa – só mais uma transa!

Mas as pequenas dores do “Day After” não são nada comparadas a uma dose de ressaca moral, odeio o tipo “arrependido”, mas também não concordo com a máxima de que só nos arrependemos daquilo que não fizemos.

A questão é simples, desde a pré-trepada eu já sabia que não tínhamos nada em comum e o resultado seria no máximo medíocre, na acepção de mediano mesmo.

Foi prazeroso e intenso, mas algum mecanismo pessoal me deixou com a sensação de ter feito algo errado, de inadequação. Muitas vezes me fiz a pergunta: Por que fui para a cama com este cara? Mas racionalizando eu pergunto: E por que não?

Vai entender esta minha cabecinha e seus tantos becos escuros, tortuosos e até mesmo íngremes.

Sinto-me como se tivesse traído alguém, mas quem?

Penso no amor, se ele está aos gritos batendo à porta e eu fingindo não o ouvir; negando e evitando o inevitável.

Medo de adentrar nas águas de um novo amor e, de novo, me afogar sem uma mão que me resgate ou mesmo um suicida para junto submergirmos nos sentimentos, tantos sentimentos, muitas vezes sem sentido.

Quero certezas, acertar o tempo do amor “sem me precipitar e nem perder a hora”, Ana Carolina ai ai ai...

Confusão absurda, mas concluo que sexo é sexo, amor é amor, e sexo é para todo mundo, já o amor, o amor é para poucos.

E para tentar colocar ordem nestas linhas, já que na minha vida pessoal não consigo, é inevitável eu afirmar que não apenas a superfície do meu peito dói, algo dentro sofre e incomoda. Há sim um vazio a ser preenchido.



30 setembro 2009

Maldade, às vezes, é bom

Mulheres são inseguras, e não adianta fazer careta e dizer: “Que preconceito”, pois a maioria avassaladora das mulheres é insegura sim, principalmente se ela for casada com um homem bonito e este tem um “amigo” gay.

É curioso, as mulheres conseguem ver nos gays o que poucos homens percebem e diante do constatado elas se sentem ameaçadas pela supremacia, afinal (pelo menos no imaginário feminino) nós gays somos: inteligentes, fiéis, sensíveis, divertidos, sabemos dançar, bons conselheiros, bons de cama, influentes, sensuais... E claro, o companheiro dela vai cair de quatro por esta figura tão maravilhosa e a abandonará para sempre, desolada e deprimida. Elas até aceitam uma ou outra traição, mas ser “trocada” por um gay é inconcebível – e elas sofrem por suspeitas banais.

Quando percebo que não estou agradando a companheira de algum amigo mais “íntimo”, de verdade, eu evito ao máximo o contato físico. Mas apesar de ser bonzinho, não sou santo, às vezes me divirto com alguma mulher insegura, se ela é claro deixar muito evidente o descontentamento e de alguma forma me inspirar a maldade. É bom incomodar, ver o ciúme tomando conta do outro, provocar deliberadamente e fazer cara de bem intencionado, afinal somos apenas bons “amigos”. E amigos se beijam, tocam-se mutuamente, falam segredos baixinho, e têm um código linguístico único (Aquelas frases que só um e o outro entendem, mais ninguém, afinal temos uma história pregressa).

A maldade arquitetada é divertida, mas delicioso mesmo é estimular o ódio alheio sem se esforçar, só com a sua presença – e que ela seja naturalmente exuberante.

E mesmo tentando me ignorar, sem nem mesmo conseguir me olhar de tanto ódio contido, é algo libidinoso perceber que a mulher do meu amigo está testando seu autocontrole, mas se perde no abismo de emoções e desconfiança que eu provoco nela. Expressões faciais de descontentamento, alteração na voz, necessidade de trazer seu homem para perto, irritabilidade e afins me proporcionam um prazer sádico quando percebido em algumas inseguras mulheres de amigos meus. Mas o que eu posso fazer, se elas me acham foda?



29 agosto 2009

Apenas mais um filme não assistido

Uma das poucas coisas que muito me irritam é assistir filme ruim, odeio perder tempo com filmes que nada têm a acrescentar, se for sucesso de público eu nem me arrisco porque sei que é mais do mesmo da Indústria Cultural, e isso me cansa. A ojeriza não me transforma em um crítico embasado ou um cinéfilo de nariz empinadinho e ar intelectualóide, mas eu gosto de Cinema para pensar ou para sentir, e mesmo os filmes menos densos tem de ter personalidade e bons diálogos e interpretações (coisa rara atualmente). Poderia arrolar uma lista de filmes que eu sou apaixonado e que têm relevância, mas listas de bons filmes existem aos montes. O que interessa são os filmes que fazem parte da minha vida, porém nunca assistidos. Entre os “não-assistidos” está a obra de Stanley Kubrick denominada Laranja Mecânica (A Clockwork Orange - título original, para solenizar) que desde sempre tenho enorme vontade de assistir, sempre li críticas e comentários que me fomentaram expectativas quanto à obra. O último a acender a chama do desejo cinematográfico pelo Laranja foi o Italianinho* (um “amigo” responsável por perturbações emocionais constantes e diversas). Cinéfilo confesso e apaixonado/ante o Italianinho defende o filme e insiste em que eu assista. Não, não vou assistir. O desejo ainda existe, mas o filme entrou na lista de filmes que eu não posso assistir. É mais uma das minhas esquisitices, eu tenho uma pequena lista de filmes que não assisto por terem eles sido configurados a serem vistos em alguma circunstância. Apenas assistiria o Laranja se fosse da maneira a qual idealizei: só eu e meu amigo Italianinho em um ambiente escuro – a caverna – bebendo alguma coisa (Coca-cola, vinho, suco natural, H2OH!, cerveja, água), tentando parar de rir para dar o play, e jogados confortavelmente (na cama, sofá ou chão). Imagino se ele iria ficar quieto envolvido pelo filme ou se ia narrar o que estaria por vir, pedindo atenção minha a determinadas partes, sei que ao término discutiríamos sobre cada cena, ele orgulhoso enfatizaria que tinha me falado sobre o filmaço, nos olharíamos como adolescentes que têm em comum um segredo, mais um. No auge da perfeição/ilusão penso que poderia assistir ao filme de mãos dadas com ele, cumplicidade e reações em tempo real. As mãos se apertando, os dedos brincando e o filme a nos unir. Só nós e a obra de Kubrick.

*Personagem fictício, qualquer semelhança não é mera coincidência.


05 agosto 2009

Ela me faz sofrer

Coleciono, ao longo de minha vida, amores mal resolvidos. Não que eu seja um romântico à procura do verdadeiro amor, pelo contrário. Eu fujo e me escondo deste sentimento tão bonito na teoria e completamente complicado na prática. Algumas vezes eu me apaixono; é quando o amor bate à porta, porém ao ouvir as batidas insistentes eu as ignoro – sempre.

Mas o amor é um sentimento chato e, não contente em bater à porta, ele dá com os pés nela e me invade por inteiro. Resultado: Fico bobo com qualquer mortal apaixonado, com direito a suspiros, olhos úmidos, projeções e auto-estima zero. Sem os excessos do amor a vida é mais simples, a racionalidade é confortável, mas fazer o quê? O amor me procura, e não só aquele cara diferente de todos os outros é capaz de me deixar frente a frente com meus sentimentos, ela também assim o faz. Sim, uma mulher me faz sofrer de amor, a Ana Carolina é responsável por eu revirar amores gastos já guardados em alguma gaveta.

Suas letras erguem meus sentimentos sepultados, sua voz me entorpece e me faz querer amar. No abismo das emoções eu me jogo.

Minha vidinha estava tranqüila, sem os problemas afetivos comuns, mas ela resolve lançar novo CD, e já nas duas primeiras músicas eu me entrego total e completamente. Sofro, choro, a voz embarga, os olhos marejam e volto a acreditar no amor como aquele adolescente que a cada encontro vislumbrava um "felizes para sempre" e acreditava na felicidade a dois.

Revivo cada amor não resolvido, cada pacto quebrado, todos os homens que não seguraram minha mão na hora da queda, enfim...

Enquanto revisito meus sentimentos ela me acompanha, e mesmo doendo amo o que a Ana Carolina me faz sentir. Sofro, mas gosto.
Canta Ana, destrói o muro que me cerca, e faz eu me entregar ao amor em mim.


20 junho 2009

Gays, homens, sexo e 10%

Recente pesquisa, realizada pelo Ministério da Saúde afirma que 10% dos homens brasileiros já tiveram, ao menos uma, relação sexual com outro homem. Este índice ficou na minha cabeça: 10%, 10%, 10%, 10%, 10%, 10%, 10%... Apesar de ser reticente quanto a pesquisas o número serve para apontar que os homens estão mais caras de pau e assumindo suas práticas realizadas, na maioria das vezes, no mais absoluto anonimato. A realidade – a minha é claro – é outra e este número é enormemente maior.
As românticas inveteradas devem parar de ler este texto (agora) e continuarem à espera do homem ideal. Se você continua lendo, a responsabilidade pela perda do encantamento é sua, a verdade é que o número de homens que transam com gays é muito maior.
Eu mesmo me surpreendo com alguns casos, homens “de família” de comportamento tipicamente masculino fazem sexo com homens sim; e a prática não se restringe à faixa etária mais jovem - aberta a aventuras e com testosterona aos borbotões – tem para todos os gostos e desde os novinhos até aos já idosos as brincadeirinhas rolam solta.
O casamento (instituição sagrada e exclusiva aos heterossexuais) não é garantia de fidelidade e não realização de prazerosos encontros entre meninos, são tantos os casados que se relacionam com gays que arrisco a dizer que os casados são mais frequentes que os solteiros.
Mas a questão dos HSH – Homens que fazem sexo com outros homens (não necessariamente que eles sejam gays), além de ser um terror para a ala feminina também afeta em cheio os gays. Apesar de até existir, no inconsciente coletivo gay, um código de conduta ao se relacionar com homens não-gays é crescente uma modalidade: Os “dadeiros”, e estes confundem as relações. Na maioria dos casos o homem desempenha o papel social masculino, são denominados como “ativos”, mas há esta nova denominação, explico:
Os “dadeiros” não são gays, eles apenas gostam de ser penetrados por outros homens, e não têm culpa ou questionam o ato. Eles apresentam os estereótipos típicos dos homens e, acredito eu, não cogitam viver uma relação afetiva com outro homem, a questão é só sexual (mais precisamente, anal).
O problema é que os acertos em um primeiro encontro não são claros e objetivos o bastante, e aí um gay assumido pode se decepcionar ao acreditar que vai encontrar um homem para chamar de seu e na hora “H” ser ele o doador de falo. Para quem é “total flex” a questão é facilmente resolvida, mas há quem é mais tradicional e desempenha apenas um papel sexual.
Seria engraçado se não fosse constrangedor, mas assim são os novos arranjos sexuais que caminham para uma total liberdade de sentir. A bissexualidade, a meu ver, será a definição das novas gerações, acho bom, acho digno, acho correto, afinal somos seres que amam.
E amar não deve ter barreira alguma, muito além da casca o que vale é o que o outro é em si. Amai-vos uns aos outros. E voltando aos 10%, apesar de ser um número consistente, acredito que se eles fossem sinceros teríamos pelo menos 83,7% de homens que já tiveram relações sexuais com outros homens, mesmo que apenas “umazinha”.

07 abril 2009

O casamento do meu melhor amigo

Sou declaradamente apaixonado pelo filme, água e açúcar, que tem o mesmo título que este texto, não apenas pela história ter coincidências evidentes com minha vida, mas também pela trilha sonora, atriz etc.
Mas não se trata de uma crítica cinematográfica, o caso é que meu amigo Tonis vai casar.
E ao conversarmos, eu e ele, ele e eu, tive a real noção de que mais um homem sai do mercado. Logo o Toninho! Confesso que me entristeci, apesar de
sua insistência em que eu vá testemunhar tal atrocidade e o sorriso safado de sempre, acredito que não vai mudar muita coisa entre nós.
É evidente que não vou ao evento, me falta atitude para encarar tamanha realidade.
Aprendi a gostar do Tonis aos poucos, se não fosse o esforço dele não passaríamos do “Oi”, e só.
Hoje é uma das pessoas do sexo masculino que mais gosto, por inúmeros motivos, muito além da beleza e físico privilegiado.
Não serei hipócrita em desejar que ele seja feliz para sempre, adoraria que apenas fosse mais um casamentinho-relâmpago, mas há razões que a própria razão desconhece e ele vai estar lindo todo arrumadinho esperando a noiva no altar.
Bem que podia ser eu, mas como fantasiar não mais faz parte da minha vida me resta, no máximo, tentar o cargo de amante. Pode não ser muito original, mas é o possível.

31 março 2009

“Cadê o Giuliano?” – Uma historinha cotidiana

O relógio marca exatamente 3h e 47min quando ouço uma voz baixo chamar meu nome, em resposta dou um tímido assovio.
O inusitado da cena é o fato de a pessoa que me chama ser o Tuca, afinal ele é um tipo bem incomum e quem o conhece sabe que para ele sair de casa às 15 horas que seja é uma tarefa hercúlea.
O Tuca é um eremita contemporâneo, enclausurado em seu quarto na companhia de filmes de arte, literatura diversa, divas lésbicas da música e vídeo-game, enfim...
Desço as escadas na escuridão da luz apagada, ao ver meu amigo é latente um sorriso e um brilho diferente no olhar, a vida bate à sua porta.
Após ele narrar uma aventura ao lado do meu amigo Fabi (que por questões éticas e de cumplicidade não discorrerei acerca) ele diz enfaticamente: “E tem mais, estávamos passados com o que aconteceu e...”
A narrativa seguia com a descrição de um rapaz que passa pelos dois incautos e pergunta, na lata, sem massagem, no cara a cara: “Cadê o Giuliano?”.
Posso imaginar a reação de ambos, que meio sem entender e entorpecidos pelos recentes acontecimentos só conseguiram responder:
“O Giulianoooooooo? Ele já entrou. É já entrou”, após tão elucidativa resposta o mancebo dá tchau e some pedalando errante pelas travessas do Morrinho.
Após ouvir o entusiasmado relato a dúvida, quem é este que me procura pelas ruas? Fabiano e Tuca também se perguntaram, afinal nunca tinham o visto, e o máximo que meu amigo conseguiu descrever do carinha é que ele é moreno e bonitinho (talvez um feio arrumadinho, mas ele jura que o cara é bonito).
Puta que vos pariu, quem é este garoto? Fiz algumas conjecturas e cheguei a conclusão que não faço ideia de quem possa ser, afinal nenhum dos meus dois mais próximos amigos o conhecem.
Se alguém sabe quem é este que me procura me avisa, por favor, e pede para ele ser mais discreto e não perder a esperança.
Afinal, se ele tiver sorte (atitude percebi que não falta) pode me encontrar de bom humor e aí quem sabe...