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13 outubro 2015

Fingir que não mais me importo

Ele ocupava o maior tempo das minhas horas, e isso me incomodava. Quando a presença daquela ausência ficava constante eu me questionava o motivo pelo qual ele “estava” comigo o tempo todo; decidi não racionalizar e aceitei que de uma forma um tanto torta a vida dele era prioridade na minha. Mudei hábitos, compatibilizei horários e não escondi minha preocupação – às vezes exagerada – com ele. No início busquei ser discreto, mas em dado momento já não me policiava quanto minha necessidade de saber dele, de fazer ele se sentir bem, de estar com as mãos sempre estendidas e ao alcance das dele.  
Nós juntos não formávamos um casal, mas aos olhos de qualquer desatento “nós" éramos “um”; o casal certinho e bonito que ninguém problematizava e que na contramão das reações sociais todos naturalizavam e acreditavam ser ad eternum...
Irritava-me a certeza alheia, uma vez que nada além de amizade era a base da nossa relação; mas também dei de ombros e continuei a cuidar dele, e rir com ele, e dormir pensando nele assim como acordar com ele no meu primeiro pensamento.
A gente navegava sem destino e necessidade alguma de um porto ou mesmo nascer de sol; o tempo, a sina, a construção, o dia de amanhã, nada interferia no oceano calmo em que nos transformamos. Mas uma tempestade chegou, e ela era da cor dos nossos olhos já descritos por Renato Russo; dormíamos e nem sequer percebemos a revolta. Apenas nossos corpos nus, náufragos, doídos, separados em lados opostos da ilha em que cada um hoje vive.
Não tivemos nem sequer tempo de brigar, inventar desculpas quaisquer, sentir a dor avassaladora da “separação”, arrepender-se ou mesmo maldizer o outro.
Ele ainda está aqui, agora mesmo divide meu travesseiro e a todo instante atravessa meus pensamentos com constância, mas é preciso fingir. Volto a ser aquele que nunca se importa, que está acima dos sentimentos e desejos; finjo e sigo – um novo barco vai me resgatar  e vou capitanear a fim de buscar um porto, meu porto, eu porto. Você horizonte.

22 julho 2009

Twitter?

A nova sensação no mundo virtual é, sem dúvidas, o Twitter (mesmo que quisesse não conseguiria explicar o que é, e para que serve) ferramenta que “afirmam” é um divisor de águas na Comunicação, existirão os períodos históricos “AT” e “DT”, ou seja: antes do Twitter e depois do Twitter.

E não estou exagerando, pois é unânime a opinião acerca da nova ferramenta: “O Twitter é o que há”.

Reticente, como sempre, fiz minha conta no Twitter (a aproximadamente 06 meses, quando era apenas uma promessa). A primeira impressão veio junto da frase: “Que merda é essa?”, não encontrei sentido algum e acreditei que tal novidade tecnológica me levaria do nada a lugar nenhum, ainda penso desta forma. Mas agora os tecnológicos todos estão excitados com a novidade, e não poucos foram os recados que recebi relatando que o Twitter sim era a última Coca Cola Ligth no deserto, então tentei mais vezes, e outras, mais algumas só por descargo de consciência e nada.

Acredito que para os pseudo-famosos que ostentam inúmeros “seguidores” deve ser divertido expressar alguma amenidade e saber que em algum lugar alguém conectado está lendo, mas... e aí? Para as pessoas comuns é realmente uma obrigatoriedade imposta pela ditadura da comunicação e da tecnologia – sinto-me o personagem do Keanu Reves no filme Matrix. A vida virtual a cada dia se torna um fardo pesado de carregar, lembro da minha iniciação: uma conta de e-mail (aquelas malditas correntes virtuais) e o apaixonante e saudoso “ICQ” (o vovô do “MSN”) aquele monte de números para acessar a conta e seus sons inesquecíveis (uma delícia digitar e ouvir o som de uma máquina de escrever, ou então o “Iuuuuuuuuuhu”, “toc toc”, e ainda o barulhinho de navio). Saudades do deslumbramento e simplicidade daqueles bons tempos.

Enfim, ainda estou tentando twittar, sei que um dia se fará a luz e eu encontro alguma funcionalidade; se quiser me seguir, ou quem sabe me convencer, é fácil:@giuliano9

Vou terminar este post acerca do Twitter porque ele já está ficando “caído”, pois agora lançaram (com estardalhaço) o “Gloogle Wave” que promete, de novo, revolucionar a forma de se comunicar. Tudo bem, eu confesso. Estou a fazer minha conta no tal “Wave”, afinal tenho obrigação de ser virtual, e bem pouco real.