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22 dezembro 2014

O salino gosto de uma não foda


Primeiro dia de Verão, e ele mostra a que veio; um calor absurdamente sufocante que incomoda até mesmo os mais coloridos e saltitantes entusiastas da estação da luminosidade, música alta, calcinhas suadas e peitos à mostra.
Cinco da manhã e eu tentando ler um livro, que é dos mais chatos que já li na minha medíocre vida, e não bastasse o enfadonho emaranhado de palavras ainda há mosquitos famintos a circular, picar, sugar e tornar tudo ainda mais catastrófico.
O cão que não late é sujo e faz passar em frente à janela de vidros empoeirados aquele que não é meu amigo, namorado, amante ou seja lá o que poderia vir a ser: Com tempo disponível e desejo acesso a gente transa, aliás nem sempre ele me fode, felação e algumas mordidas e encoxadas às vezes é a medida do encontro, desencontro, um não ponto, opondo à rotina, desdita de dois tortos.
Com o dedo em riste eu afirmo, irritado, algo que ele fez fora do roteiro predeterminado; álcool e desejo o fizeram se expor (me expor) e extravasei minha raiva quase iracunda e meio belicosa. Briguei, expliquei e ignorei.
Suas mãos e pau em mármore não deixavam dúvidas, uma desculpa alinhada em promessa de não mais repetir o excesso e o enlace dos braços suados – quase sujos e salgados. Sua boca salivava tesão e pressa, e a minha negava o que o corpo queria.
E quanto mais ele tentava mais eu negava e excitava; mãos fingindo repelir, língua na nuca, mãos na espádua, costas, bunda. Sussurros ao pé do ouvido, entre linguadas e baba, e sempre a mesma negativa contrariando o que o corpo falava. Gemidos incontidos, mãos desesperadas, sofreguidão de um homem que implorava por prazer e caiu na armadilha egoísta só minha: Por mais que o desejo fluísse dos meus lábios e mãos - sussurros, mordidas e unhas cravadas conscientemente.
Foram mais de duas horas de tortura, tesão, suor e calor; rogar em nome do pai, do filho e espírito santo não foi o bastante. Apoiado em meu dorso ele esfregava o pau e batia uma punheta violenta (desordenada) a fim de ver a mancha branca em minhas pernas, coxas, sobre a roupa. Em vão, depois de diversas tentativas pouco convincentes de findar com a brincadeira, de subjugar suas vontades, eu enfim dei fim ao desespero dele, para desesperá-lo ainda mais – sim era possível.
Abruptamente o empurrei em meio a gemidos e insistências: “Chupa, me dá, só um pouco, pega no meu pau, eu quero gozar, eu vou gozar, só saio depois de você mamar”. Com o pau duro, quente e suado dentro da bermuda jeans ele foi embora contrariado. Com o corpo quente, o desejo atiçado, e uma marca no pescoço pouco aparente não gozei o cigarro depois da trepada possível, mas traguei o domínio das minhas vontades e do meu ego inflado. Meu jogo, minhas regras, eu o único vitorioso. Restou calor, o cheiro dele e meu sorriso satisfeito: “Bem feito...”, e seja feita minha vontade.

27 agosto 2013

Alguém me observa da janela


Porque se não for estranha não é trepada minha; sabe-se lá por que caralhos tem coisas que só acontecem comigo e na primeira experiência íntima com um estranho. Sim, por que não fazer sexo com estranhos? - daqueles que você conhece em uma mesa de bar ou mesmo cruza na rua com alguma frequência, mas nem sequer verbaliza um "oi".
Meses atrás, talvez seis, quando voltava para casa nessas madrugadas quaisquer eu via (com certa frequência) o rapaz na janela que me observava. Até tentava andar com menos sinuosidade a fim de não chamar atenção, a sensação de estar sendo observado me incomodava e também aguçava minha curiosidade em descobrir ao menos o seu rosto; a escuridão do seu quarto e o negrume da noite favoreciam seu quase anonimato. Inevitável o encontrar, afinal a rua onde ele mora faz parte do meu itinerário, e em uma ocasião banal o vejo descendo as escadas do sobrado onde mora. Deliberadamente diminuo o ritmo dos meus passos a fim de enfim ver quem é o garoto da janela, cruzamos nossos caminhos na esquina e um olhar rápido denunciou ser mesmo ele, e ele era explicitamente bonito. Com o passar dos dias, confirmei não só sua irritante beleza como também o via frequentemente, rodeado de amigos, andando de bicicleta, saindo de casa sabe-se lá para onde, e nunca mais no parapeito da janela.
Inês é morta, mas ele não; e para minha surpresa o vejo na rua onde moro vindo em minha direção e, sem cerimônia, ele me pergunta se eu moro sozinho e pede meu número de telefone. Durante semanas foram algumas mensagens de texto, muitas ligações não atendidas e eu sem entender o motivo pelo qual eu não me inspirava em sair com o menino lindo que muito me observou de sua janela. Talvez a facilidade da situação, uma vez que tenho tendências a complicar as relações afetivas e sexuais, enfim...

Evidente que ele desistiu, mas não sem antes me encontrar inúmeras vezes pelas ruas do bairro e me ignorar, salvo quando ele estava com uma namoradinha (fez questão de olhar bem na minha cara) e eu dei de ombros. Mas o tal destino (ou seria o demônio?) é ardiloso, e na madrugada passada ele aparece como mágica e começa a conversar com uma minha amiga, erámos quatro: Eu, minha amiga, ele e o incômodo da situação.
Conversamos amenidades, e a hora redonda nos fez cada um seguir seu rumo, o relógio no celular marca 3 horas e 30 minutos. Confesso que fui embora solicitando mentalmente que ele não me “encontrasse”, não queria mais uma tentativa dele e outra negativa minha; chego em casa sem contratempos, aliviado e um pouco decepcionado, mas melhor assim. Cerca de 20 minutos depois desta vez da minha janela vejo ele, abro a porta e o rapaz - lindo como um sonho infantil – sorri, amansa sua voz, relembra nosso primeiro não-encontro, e faz o convite. Corpo completamente nu esparramado na cama, as tatuagens e um cheiro que ficou nas minhas mãos, mas o que poderia ser mais uma noite de sexo casual e banal não o foi.
Cliente satisfeito, ele gozou e no decorrer da transa chamava meu nome de um jeito sensual e delicioso; mas o pau não ficou em riste. Pernas, peito, barriga e um pau meia-bomba (nem duro tampouco mole).
Entre gemidos contidos aquele pau malemolente gozou uma porra salgada e em quantidade quase imperceptível. Um adeus sorridente e satisfeito dele e a promessa em voltar e eu me perguntando: “Que porra foi isso?”, e continuo na dúvida de como – e se – agir com o menino da janela.

15 dezembro 2011

Fantasia sexual, uma segunda chance

Fetichismo, cada um e todo mundo tem sua pequena caixa de fantasias sexuais, seja a simples predileção por pés ou mesmo inomináveis, ou não, distúrbios.
Quem nunca desejou dar, ou levar, um tapa na cara que levante a mão – todos somos um tanto culpados, e há culpa?
Em uma qualquer e incerta madrugada, de tempos idos, fantasiei com um desconhecido e sua
camisa de time, desejo não saciado e a imagem até então a me perturbar, acompanhar-me em insones e em riste noites. Eis que em uma esquina, sempre há esquinas, uma troca rápida de olhares e uma verde camisa a cobrir o peitoral que desnudei.
Meu pescoço a se contorcer acompanhando o torcedor do Palmeiras, ele também me procura, mas diante das incertezas e descaminhos da madrugada sigo em frente, não sem antes o perder de vista.
O desejo naquele rosto quase infantil cresceu com a impossibilidade gerada por nossos itinerários contrários, mas ao dobrar uma outra esquina ele reaparece. Deus e/ou o diabo moram mesmo nos detalhes e aquela camisa do Palmeiras inviabilizava qualquer negativa minha.
Não bastasse a camiseta, que tirei do seu corpo em momento apropriadíssimo, ele também era lindo. O tipo de beleza não-óbvia que tanto me faz suspirar, um rosto de menino com linhas fortes e um olhar de homem que já viveu algumas das dores do mundo.
O pau, peitos, barriga e aquele gemido contido. As mãos dançando em meus braços e nuca, intimidade e carinho igual ao de casais que se reencontram depois de uma partida. Não, não éramos apenas estranhos a saciar nossos desejos, mas o objetivo das fantasias sexuais é o gozo, não cabe expectativas neste acordo de cavalheiros – talvez mais 15 minutos eu me aventurava a iniciar um laço, mas o que me pertencia de fato era a fantasia, agora realizada.
Inebriado, absorto, senti-me prostrado ao meu desejo ao ver aquela camiseta alviverde de poliéster se perdendo, de vez, na esquina da minha casa.

30 dezembro 2010

Sexo com um idiota

Acontece, o acaso e atitudes dissolutas ainda vão proporcionar a você (assim como a mim) uma trepada com um idiota. Ele pode ser um idiota já mesmo antes da transa e aí uma parcela da responsabilidade pelo desastre é sua, em outros casos (este meu específico) o idiota só se revela no momento íntimo – aquele no qual não há a menor possibilidade de desistir da empreitada com uma desculpa descarada qualquer. Eis minha aventura sexual com um idiota:
Sugestão dele: “Vamos fazer ‘lá fora’, é melhor”, sem pensar compartilho da fantasia de transar sob o manto de estrelas, escondido, e na companhia da tensão de ser surpreendido – dissoluto eu sei. As circunstâncias exigem que as tão faladas “preliminares” sejam mais rápidas, intensas e quase suprimidas... Lábios e língua em atividade, e gemidos de prazer. Interrompendo seus sôfregos gemidos o idiota resolve falar - porra todo idiota pensa que é orador – de início resolvo encarar sua comunicação como retórica, mas ele queria respostas e eu já queria ir embora.
Explicitamente ele mente, desvia meu foco com sua falácia, e verbaliza algo que deve soar erótico para ele, e totalmente desnecessário para mim: “Sou casado, tenho mulher e filho...” Vontade absurda de mandar ele levantar a bermuda e ir para casa cuidar de sua família feliz, mas essa sutil observação não era suficiente para deixar o idiota ali, só e com o pau no sereno. O tamanho do pau dele era repetido e justificado, não fosse tão idiota eu teria até falado que não era assim tão pequeno, mas irritado o deixei alimentar seu complexo injustificado.
Racionalizei, que o mal não dure mais que o tempo necessário, então investi forte a fim de que o objetivo daquela transa fosse alcançado – gozada, sacudida e tchau.
Boca e mãos não suficientes, o chato queria mais e verbalizava, pedindo, ameaçando, quase esperneando.
Nada mais restava, no intuito de acabar logo com aquilo cedi e logo ouvi a frase do idiota a penetrar meus ouvidos: “Fico horas, horas bombando...”, ele repetia e eu quase desistindo da polidez.
Pensamento companheiro naquele momento: “Porra Giuli’s, onde você foi parar”. A mecânica da coisa e o correr do tempo finalizaram a trepada com o idiota, que de modo geral não foi ruim, apenas mediocre/mediana – desnecessária. O idiota também tinha um quê de artificialidade, soava como um ator canastrão em decadência. Ele não foi o primeiro idiota com o qual transei, mas espero que seja o último, pois transar apenas para saciar os instintos não é o ideal e com um idiota é um quase martírio, e te faz pensar. E pensar após o sexo é o maior destesão.

16 agosto 2010

Não mais que quatro gemidos

Percepção de tempo é muito relativa, alguns minutos podem ser quase nada ou longuíssimos (até mesmo definitivos), mas há alguns padrões mínimos exigidos/esperados quando o tempo corrente é preenchido com sexo – sim eu também faço isso, menos do que pensam meus leitores e bem mais do que imagina minha avó.

Um perdido, numa noite perdida, encontra-se entre uma encruzilhada, são dois os corpos expostos no açougue da ordinária madrugada.

Ele hexita, olha, dedilha seu aparelho celular, esboça falar e ziguezagueia por entre ruas. Praticidade - e os corpos, antes expostos em conjunto, agora seguem caminhos distintos e jogam o peso da decisão para o errante explicitamente indeciso.

Alguns passos, outras ruas e a tão recorrente paradinha estratégica. Olho de soslaio e entre os dentes um tímido: – “Chega aí!”, apenas aceno a cabeça e o faço virar a esquina atrás de mim.

O cumprimento com firmeza: - “E aí, beleza?”, e em resposta outra pergunta: - “A fim de pagar um boquete?”. Encaro o objeto da aventura sexual sem compromisso, e afirmo com um casual: - “Demorou”.

Homem jogado em cima da cama, membro em riste e um meio sorriso no seu rosto, enfim...

Nem sequer 2 minutos e meio depois já estava finalizado o ato, desejo (dele) saciado entre lábios e língua. O tempo exato de umas quatro gemidas, e seu gemido baixo, contido, era excitante – mas não o suficiente.

Um tchau sem compromisso e protocolar, ele ainda olha para trás e vai. Tranco a porta, e o primeiro pensamento que me vem à tona é o de que se eu fosse uma prostituta aquele seria o melhor programa da noite, sem tensão alguma e o dinheiro da carteira dele ao meu bolso em no máximo três minutos – o tempo de preparo de um miojo. O não-sexo me obriga a saciar ao menos a fome cotidiana do fim das madrugadas. A cozinha desarrumada me espera e é onde encontrarei algo para matar a fome, mas infelizmente lá não há nenhum macarrão instantâneo que seja rápido e prático assim como meu mais recente parceiro. Até o lanchinho da madrugada demora mais que ele.

22 março 2010

Quem consegue ser indiferente a uma chupada?

Acontece, mesmo com cuidados redobrados e anos de experiência hora ou outra acontece. E no dia depois do crime, você ainda escovando os dentes se depara com uma mancha no seu pescoço: “Filho da puta”, o que resta agora é reclamar e só. A chupada é um fato, e denuncia uma intensa noite de sexo. Ergam suas cabeças chupados amigos, não há nada a fazer a não ser se resignar e assumir, pois tentar disfarçar só piora a situação. Sigo a rotina apenas tentando evitar o ângulo denunciador e crente na discrição daqueles que vou encontrar durante o dia. Discrição que todos, absolutamente todos, decidem não exercer. Impossível contar o número exato, mas algumas reações foram curiosas ou um tanto quanto maldosas:

Dudu – O primeiro a constatar, um adolescente (imaturo quase beirando o autismo) aponta incisivamente o meu pescoço e dispara: “Safadinho, ai ai. Deixa eu ver? Hum hein!”. Em resposta um olhar fulminante e um “some daqui”, dito com os lábios quase fechados.

Mãe – No meio de um de seus enfadonhos discursos, eu sentado na calçada e ela de pé. Olho para sua face, e no meio de uma afirmação ela diz, em tom surpreso: “Que chupada é essa?”. Em resposta um muxoxo e o desvio de meu rosto, de volta ao livro que tentava ler.

Jonas – Depois de uma tarde inteira juntos, ele enfim percebe o marca e grita: “Giu, que chupão é esse?”, estávamos na fila do caixa do supermercado, local adequadíssimo para tal observação. Respondi com uma mentira absurda qualquer, e ele olhando insistentemente para a já famosa chupada.

Giordanna – Discreta, não comentou nada diretamente. Mas foi a primeira a confirmar em uma mesa de bar: “É sim, é uma chupada”.

Adrianinha – Nem mesmo me cumprimentou e compulsivamente me fez perguntas referentes à chupada, todos em volta olham para mim, disfarço e saio andando. Não vencida ela grita, do outro lado da rua: “Vai me contar tudo, com detalhes”.

Lucilene – Olhou meu pescoço e me encarou com um sorriso que transparecia vitória e prazer. Respondi com uma pergunta: “O que foi garota?”. O mesmo sorriso e um tom malicioso. Ela foi a responsável por mostrar minha chupada para pelo menos meia dúzia de outras pessoas, sempre com aquele sorriso.

Nanda – Sento ao seu lado no banco do passageiro do carro e ela bem dramática anuncia para os presentes: “O que é isso? Seu pescoço está todo arranhado. O que aconteceu? Quem foi?”.

Lili - Até se esforçou para acreditar em mim, mas diante da euforia dos presentes ela se rendeu e aceitou que era uma chupada e não uma mancha devido a meu barbear malfeito.

Bibãozinho – Não só falou alto, mas também perguntou como foi. Solicitava detalhes e perguntava: “Foi bom ontem à noite, foi gostosinho né?”. Constrangimento pouco é bobagem, então ele me abraçava e me alisava enquanto discorria acerca da chupada.

Fabiano – Dois dias depois do fato, em uma conversa habitual, ele pára e me olha fixamente. Coloca o celular na boca – lasciva e debochadamente – e pergunta: “Quem foi?”, eu inocente demoro a perceber do que ele estava falando, mas aceito o destino, afinal a chupada está lá.

O que alivia é saber que em poucos dias, e depois de muito gelo, a marca some e a ostentação do pescoço poderá (de novo) ser imponente e despreocupada. Mas a afirmação mais irritante, sem dúvidas, foi a do autor da obra de arte que me disse a seguinte frase: “E ae, o que seu namoradinho achou do seu pescoço”, ainda bem que o “namoradinho” só existe na fantasia dele, maldade consciente que felizmente não causou grandes danos.



01 fevereiro 2010

Tapa na cara

Quem não faz, fala. Brinco com meus amigos afirmando que quando sexualmente as coisas estão insatisfatórias o assunto “sexo” é recorrente (ultimamente só falo nisso!).

Seja relembrando bons encontros, fazendo piadinhas sacanas ou mesmo discutindo as fantasias porno-bizarra-eróticas realizadas ou não ele, o ato sexual - e suas variantes todas - está presente no bate papo informal.

E o tamanho que, sim afirmamos com veemência, não interfere tanto no desempenho é alvo de comentários.

Se algum homem foi objeto de desejo do grupo e alguém teve o privilégio de conferir, com certeza vai dividir o tamanho da “criança” com os outros, mas sem “grandes” ou “pequenos” detalhes.

O calibre masculino é medido e divulgado, (de acordo com uma normatização específica e bem simples) desculpa meninos.

E no palco que é a cama vale tudo, até mesmo interpretar longe do palco e outras coisinhas que cada um faz; mas em uma das conversas a questão “tapa na cara” gerou polêmica e discursos apaixonados daqueles que são contrários à prática. Confesso, acreditei que uns tapas na cara era algo facilmente aceito e prazeroso para ambas as partes (talvez sádico & masoquista?), e sim eu gosto de levar tapa na cara no contexto sexual. E tapa bom é tapa forte, mas dentro do aceitável e de acordo com a “pegada” da transa; se for para bater devagar é melhor alisar.

Aos olhos dos que acreditam ser um absurdo levar uns tapas eu sou um devasso submisso que não me valorizo, e claro me divirto com a situação e provoco falando das delícias de um tapa na cara. A questão agora é objeto de pesquisa, e sempre que alguém ainda não declarado se encontra perdido eu pergunto, de modo bem natural: E tapa na cara, o que você acha? Até agora acredito que metade das pessoas odeia e a outra metade se divide entre os que aceitam e os que adoram, e você gosta?

12 novembro 2009

Meu mamilo esquerdo dói

Puxões de cabelo, mordidas, contato físico violento, arranhões e afins; sexo às vezes deixa marcas, desconforto muscular e um pouco de dor.

Tentando evitar a lascívia, não comentarei as aventuras de uma noite com uma pegada mais forte; todavia meu mamilo dói e me faz lembrar a última transa – só mais uma transa!

Mas as pequenas dores do “Day After” não são nada comparadas a uma dose de ressaca moral, odeio o tipo “arrependido”, mas também não concordo com a máxima de que só nos arrependemos daquilo que não fizemos.

A questão é simples, desde a pré-trepada eu já sabia que não tínhamos nada em comum e o resultado seria no máximo medíocre, na acepção de mediano mesmo.

Foi prazeroso e intenso, mas algum mecanismo pessoal me deixou com a sensação de ter feito algo errado, de inadequação. Muitas vezes me fiz a pergunta: Por que fui para a cama com este cara? Mas racionalizando eu pergunto: E por que não?

Vai entender esta minha cabecinha e seus tantos becos escuros, tortuosos e até mesmo íngremes.

Sinto-me como se tivesse traído alguém, mas quem?

Penso no amor, se ele está aos gritos batendo à porta e eu fingindo não o ouvir; negando e evitando o inevitável.

Medo de adentrar nas águas de um novo amor e, de novo, me afogar sem uma mão que me resgate ou mesmo um suicida para junto submergirmos nos sentimentos, tantos sentimentos, muitas vezes sem sentido.

Quero certezas, acertar o tempo do amor “sem me precipitar e nem perder a hora”, Ana Carolina ai ai ai...

Confusão absurda, mas concluo que sexo é sexo, amor é amor, e sexo é para todo mundo, já o amor, o amor é para poucos.

E para tentar colocar ordem nestas linhas, já que na minha vida pessoal não consigo, é inevitável eu afirmar que não apenas a superfície do meu peito dói, algo dentro sofre e incomoda. Há sim um vazio a ser preenchido.



12 agosto 2009

Decepções e um pouco de cafajestagem

Atravessando uma fase de atropelamentos amorosos. Estou cafona – digno de novela mexicana mal dublada - e as perturbações emocionais são diversas, eis o cardápio: Encontro apaixonado com um ex (atualmente casado), “amizade” com esposa de um objeto do meu desejo, pseudo-casamento-relâmpago de amiga (a mais vagabunda e dissoluta), e o único ser capaz de me fazer acreditar no amor anuncia que voltou com a ex-mulher.

A fim de superar o desastre da minha vida emocional, e esquecer os recentes acontecimentos, não me fiz de desentendido e, enfim, decidi “dar um confere” em um desses homens que sempre se mostram disponíveis. O sexo pelo sexo pode até não preencher suas lacunas emocionas, porém relaxa, desestressa e ajuda a melhorar a autoestima. Já que não existia a menor chance de uma segunda intenção, além de sexo-adulto-sem-compromisso-e-nada-de-ligar-no-dia-seguinte, as coisas foram facilitadas. Diante da vítima eu cometi o crime, e lembrei da máxima popular que afirma que o crime não compensa, pois esse não compensou! Parece exagero, mas o infeliz é muito ruim de cama, descrevo:

Mãos – São fundamentais, mas a criatura não sabia o que fazer com as suas, mesmo eu conduzindo pelos caminhos a percorrer (nota 01, ao menos tentou).

Beijo – A língua não era habilidosa e a boca ficava aberta demais, o melhor é esquecer (nota 03, muito me incomodava).

Layout – Um tipo comum: tatuagem com nome de filho, tamanho compacto, tom de pele inspirador, corrente de prata no pescoço. (nota 05, não o apontaria no meio da rua).

Verbal – Ao menos não era “mudo”, mas o repertório era fraco e a voz baixa e sem personalidade. (nota 03, não falou nenhum palavrão).

Movimentação – Melhor não me aprofundar, igual a ele. (nota 04, ir e vir todo mundo sabe).

Calibre – Abaixo da média nacional, grande glande, curto e não tão grosso – que cafajeste estou! (nota 05, razoável).

Aroma – Melhor quesito, sem perfume artificial e com cheiro característico de homem. (nota 06, a salvação).

Resultado final, nota 04. No máximo vou cumprimentá-lo quando o ver de novo. E agora, não bastassem os fracassos emocionas, tenho a obrigação de sexualmente me “dar” bem, pelo menos minha vida sexual tem de ser satisfatória já que a emocional...



31 julho 2009

Chuva chove, chove chuva...

Água é necessária à sobrevivência humana, e apenas por este motivo não vou praguejar dramaticamente o excesso de chuva. Nem mesmo os possíveis deleites de dormir ao som da chuva ou uma noitada de sexo embaixo d’água conseguem fazer minha opinião mudar quanto a este fenômeno natural – odeio, mas odeio mesmo, chuva.

A aversão pode ter sido estimulada por meu pai que, apesar de não ser uma figura das mais importantes nos meus referenciais, me deixou a herança de dizer contra (xingar, amaldiçoar, questionar) estas gotas que resolvem cair do céu.

Sinto-me um refém, impossibilitado de exercer o direito de ir e vir, pois mesmo que eu enfrente a fina garoa ou mesmo uma forte tempestade é evidente que serei um Dom Quixote sem nem mesmo um Sancho Pança. Eu, isolado e só na tentativa de ignorar a chuva, que de modo algum deseja ser despercebida.

Pior que chuva só mesmo guarda-chuva, acompanhado de meias molhadas é sem dúvidas um dos castigos de algum dos círculos do inferno de Dante.

E se chove lá fora...Quem não tem o que fazer inventa, então você decide ligar para amigos. Esqueça, o bate-papo vai ser sobre a chuva – não tem jeito ela se faz presente até mesmo se o assunto for “nada a ver”. Hummmmmmm comer. É aumentada a fome quando chove e claro você vai ter desejo insano de saborear algo que não está na geladeira ou armário – tem de sair para comprar, mas como está chovendo...

No desespero, e depois de ter olhado pela janela ao menos uma dezena de vezes a fim de observar se a chuva cessou, você decide assistir TV, jogado no sofá. Não por acaso as emissoras, sabedoras da previsão do tempo, oferecem programação especial composta de filmes que se pudessem ao menos serem classificados como “ruins” você se sentiria feliz.

Como um kamikaze você resolve que vai esquecer da chuva e se entrega ao seu destino (por uma causa nobre), e então aqui estou na frente do monitor, após tentar de tudo: leitura de variedades, noticiário, jogos de cartas, sites de relacionamentos e até pornografia...

Ela, a chuva, persiste e seu som é irritantemente presente, mas ao menos serviu para me motivar a escrever este texto que está encharcado de pingos constantes que insistem em cair e corroboram minha aversão odiosa e belicosa relacionada à chuva.



20 junho 2009

Gays, homens, sexo e 10%

Recente pesquisa, realizada pelo Ministério da Saúde afirma que 10% dos homens brasileiros já tiveram, ao menos uma, relação sexual com outro homem. Este índice ficou na minha cabeça: 10%, 10%, 10%, 10%, 10%, 10%, 10%... Apesar de ser reticente quanto a pesquisas o número serve para apontar que os homens estão mais caras de pau e assumindo suas práticas realizadas, na maioria das vezes, no mais absoluto anonimato. A realidade – a minha é claro – é outra e este número é enormemente maior.
As românticas inveteradas devem parar de ler este texto (agora) e continuarem à espera do homem ideal. Se você continua lendo, a responsabilidade pela perda do encantamento é sua, a verdade é que o número de homens que transam com gays é muito maior.
Eu mesmo me surpreendo com alguns casos, homens “de família” de comportamento tipicamente masculino fazem sexo com homens sim; e a prática não se restringe à faixa etária mais jovem - aberta a aventuras e com testosterona aos borbotões – tem para todos os gostos e desde os novinhos até aos já idosos as brincadeirinhas rolam solta.
O casamento (instituição sagrada e exclusiva aos heterossexuais) não é garantia de fidelidade e não realização de prazerosos encontros entre meninos, são tantos os casados que se relacionam com gays que arrisco a dizer que os casados são mais frequentes que os solteiros.
Mas a questão dos HSH – Homens que fazem sexo com outros homens (não necessariamente que eles sejam gays), além de ser um terror para a ala feminina também afeta em cheio os gays. Apesar de até existir, no inconsciente coletivo gay, um código de conduta ao se relacionar com homens não-gays é crescente uma modalidade: Os “dadeiros”, e estes confundem as relações. Na maioria dos casos o homem desempenha o papel social masculino, são denominados como “ativos”, mas há esta nova denominação, explico:
Os “dadeiros” não são gays, eles apenas gostam de ser penetrados por outros homens, e não têm culpa ou questionam o ato. Eles apresentam os estereótipos típicos dos homens e, acredito eu, não cogitam viver uma relação afetiva com outro homem, a questão é só sexual (mais precisamente, anal).
O problema é que os acertos em um primeiro encontro não são claros e objetivos o bastante, e aí um gay assumido pode se decepcionar ao acreditar que vai encontrar um homem para chamar de seu e na hora “H” ser ele o doador de falo. Para quem é “total flex” a questão é facilmente resolvida, mas há quem é mais tradicional e desempenha apenas um papel sexual.
Seria engraçado se não fosse constrangedor, mas assim são os novos arranjos sexuais que caminham para uma total liberdade de sentir. A bissexualidade, a meu ver, será a definição das novas gerações, acho bom, acho digno, acho correto, afinal somos seres que amam.
E amar não deve ter barreira alguma, muito além da casca o que vale é o que o outro é em si. Amai-vos uns aos outros. E voltando aos 10%, apesar de ser um número consistente, acredito que se eles fossem sinceros teríamos pelo menos 83,7% de homens que já tiveram relações sexuais com outros homens, mesmo que apenas “umazinha”.