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14 maio 2011

É pra já!

Existe uma casta inferior de pessoas que se apaixonam assim, de uma hora para outra. Plim! - “Estou amando”.
De verdade este comportamento me irrita, afinal esses apaixonamentos imediatos desabonam as verdadeiras e relevantes estórias de amor, que apesar de estarem fora de moda eu ainda acredito.
Denomino “Miojo” estas pessoas propensas a tal comportamento, afinal é assim bem rápido (3 minutos) e já está pronto o mais novo amor-eterno-para-toda-vida. Penso que enquanto o pseudoapaixonado discorre as quimeras de seu novo amor 02 copos e ½ de água já estão na panela à espera do novo pacotinho de macarrão instantâneo, talvez de um outro sabor. É só lavar o prato e despejar o novíssimo amor a ser consumido. Descobrir o amor leva um tempo precioso e impreciso, e há estágios diversos anteriores ao verdadeiro estado de estar amando alguém, seja este alguém quem for. Aos que amam e desamam na rapidez macarrônica meu total desprezo e votos de infelicidade, que ao menos à ruptura seja cruel e cause sofrimento.
E como temo estar escondido em mim tudo aquilo que odeio...
Vejo-me assim um tanto quanto apaixonado em tempo recorde, e questiono se isso não é resultado do tamanho de meu desespero em não permanecer só. Qualquer possibilidade é uma grande promessa e assim etapas são atropeladas e estou eu aqui entre ais e suspiros bobos. Porra, tudo menos ser “Miojo”, será que o amor me pegou de jeito e de maneira nunca antes sentida? 
Dúvidas são constantes, mas a maneira rápida pela qual eu me afirmo em apostar alto todas as fichas neste amor me assusta e parece que me entregar é a única certeza, mas não agora.
O tempo... 

16 agosto 2010

Não mais que quatro gemidos

Percepção de tempo é muito relativa, alguns minutos podem ser quase nada ou longuíssimos (até mesmo definitivos), mas há alguns padrões mínimos exigidos/esperados quando o tempo corrente é preenchido com sexo – sim eu também faço isso, menos do que pensam meus leitores e bem mais do que imagina minha avó.

Um perdido, numa noite perdida, encontra-se entre uma encruzilhada, são dois os corpos expostos no açougue da ordinária madrugada.

Ele hexita, olha, dedilha seu aparelho celular, esboça falar e ziguezagueia por entre ruas. Praticidade - e os corpos, antes expostos em conjunto, agora seguem caminhos distintos e jogam o peso da decisão para o errante explicitamente indeciso.

Alguns passos, outras ruas e a tão recorrente paradinha estratégica. Olho de soslaio e entre os dentes um tímido: – “Chega aí!”, apenas aceno a cabeça e o faço virar a esquina atrás de mim.

O cumprimento com firmeza: - “E aí, beleza?”, e em resposta outra pergunta: - “A fim de pagar um boquete?”. Encaro o objeto da aventura sexual sem compromisso, e afirmo com um casual: - “Demorou”.

Homem jogado em cima da cama, membro em riste e um meio sorriso no seu rosto, enfim...

Nem sequer 2 minutos e meio depois já estava finalizado o ato, desejo (dele) saciado entre lábios e língua. O tempo exato de umas quatro gemidas, e seu gemido baixo, contido, era excitante – mas não o suficiente.

Um tchau sem compromisso e protocolar, ele ainda olha para trás e vai. Tranco a porta, e o primeiro pensamento que me vem à tona é o de que se eu fosse uma prostituta aquele seria o melhor programa da noite, sem tensão alguma e o dinheiro da carteira dele ao meu bolso em no máximo três minutos – o tempo de preparo de um miojo. O não-sexo me obriga a saciar ao menos a fome cotidiana do fim das madrugadas. A cozinha desarrumada me espera e é onde encontrarei algo para matar a fome, mas infelizmente lá não há nenhum macarrão instantâneo que seja rápido e prático assim como meu mais recente parceiro. Até o lanchinho da madrugada demora mais que ele.