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18 outubro 2010

Aquele mesmo vazio

Mais uma vez me encontro/perco no quarto sem luz, ameaçado pelas paredes sufocantes. Inadequação, medo, o mesmo vazio que insiste em se fazer presente, as lágrimas sempre contidas que teimam em não verter o negrume absoluto interior. O ar se torna excessivo, e uma dor inexplicável, cortante como aquela lâmina - última companheira dos suicidas.
A bússola aponta o norte, mas lá também não é o meu lugar: “Onde está ‘Pasárgada’, lá minha dor inexiste?”. O cigarro não invade o espaço, as tragadas não têm efeito e entre uma e outra ouço pessoas cantarem uma música religiosa que diz: “Deus do impossível...”, inveja dos que têm fé. Busco nos escaninhos do meu inconsciente alguma imagem que sirva de acalanto, e encontro o mar. Inconstante, absoluto em si, belo, tão repleto de significados; tenho a sensação que ao tocar o mar resvalo o mundo por completo. As águas – talvez das minhas emoções – buscam-se a todo instante e correm para o oceano que liga todos os continentes; e sinto que também faço parte dessa grande engrenagem natural denominada “vida”. Mas a vida, às vezes, falta-me e ela (a vida) corrói, abandona, ignora e pesa. Quero fugir, mas para onde? Absorto, invadido pelo desespero e violentado pela angústia e vazio...
De súbito um sorriso brota em meu rosto estéril, e percebo um brilho em meus olhos que tentam afastar a escuridão. Um “Eu já te amo”, escrito para mim (justo nesse momento) e a dor recua, não sem lutar bravamente por seu território, afinal tenho consciência que o “Eu já te amo” é uma pequena mentira, mas algumas mentiras nos salvam. A dor continua aqui a mordiscar cada centímetro de carne do meu corpo inútil, o medo está à espreita, mas aquele despretensioso “Eu te já amo” cravou uma semente de felicidade que brota frágil e sem pressa no meio desse vazio quase absoluto.

21 dezembro 2009

Casamento meu

Há tempos a questão do casamento me perturba, e após ver (por meio de imagens) a alegria manifesta da minha amiga Rê Rolim Prudente e descobrir algumas peculiaridades especiais e únicas acerca de seu casamento esta ideia casamenteira me toma, de novo, por completo. Confesso que não sou uma pessoa “fácil”, e dificilmente encontrarei alguém insano o suficiente para querer dividir sua vida comigo, mas sigo em frente na expectativa de uma vida em comum ao lado de um homem que eu ame e que me ature.

Relembro antigos relacionamentos e tenho convicção que perdi duas excelentes oportunidades, mas eram as pessoas certas (mas nem tanto) no momento inadequado.

Aprendi com eles a ter crença no casamento, esta instituição que dizem falida e fora de moda; mas quero e vou casar – otimismo ajuda.

Estou disposto a tentar unir meu complexo universo ao modo de vida do outro, mesmo com os dissabores que estão por vir. Mas quem disse que seria fácil? É evidente que encontrar a alma gêmea, príncipe encantado, tampa da panela, metade da laranja, sapato gasto para meu pé cansado seria encantador, mas consciente da minha balzaquiana situação e da racionalidade minha sei que o ser amado é humano. Ele até pode ser lindo, fofo, inteligente e bem humorado, todavia terá defeitos, manias, medos, vontades, histórico pregresso de relacionamentos, e o pacote completo e complexo de qualquer pessoa comum – não idealizada. E que venha a realidade então.

Mas para embarcar na aventura chamada casamento é necessário (obsessão crucial e irreversível) um personalizado ritual, acho lindo o ritual casamento e já desenhei o meu na minha cabeça pensante e confusa. Não conto detalhes para não estragar a surpresa, quem sabe você está na minha lista de convidados? Já tenho uma pré-lista das pessoas que vão estar comigo nesse momento de realização, os padrinhos e madrinhas também já estão pré-definidos. Vai haver água, a água será testemunha da minha união, e meus pés estarão descalços; mais não divulgo!

E enquanto eu não esbarro no ser amado, aquele que estará de mãos dadas comigo no grande dia eu vou me ocupar em produzir o roteiro detalhado do casamento meu, para facilitar o cerimonial e, quem sabe, adequar às necessidades e vontades do outro. Discutiremos juntos qual será a música do nosso casamento, ansioso para saber quais serão as músicas, que segundo ele, combinam com o nosso amor. É, o gosto musical tem de ser minimamente compatível, senão não caso. Já pensou ele ser fã de dupla sertaneja, funk carioca ou banda Calypso e afins? Melhor nem pensar.