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10 abril 2012

Uma crise


Meu corpo parece insuficiente para me caber e, de novo, sinto que estou perdido em uma estrada escura e desconhecida às vésperas de ser atropelado por uma manada de cavalos selvagens, cavalgados por demônios - os meus.
Tudo é falta, nada satisfaz. Há só ausência, tanta.
O medo sorri para mim, com sua boca sem dentes e malcheirosa. Onde está você? A promessa de felicidade que sua mão deixou aqui, onde está?
Quero quebrar as correntes, correr nu, apostar todas as fichas, oferecer a outra face, ser apontado na rua, digno de pena ou inveja.
O preço é alto, o passo irreversível, mas meu corpo pede o seu, e preciso me reencontrar nos seus olhos que fizeram eu me perder de mim. Hoje vivo me escondendo do mundo, à procura do que fui e aterrorizado por perceber no horizonte à frente eu transformado em uma sombra pálida – o aborto de nós dois. Tão pouco o tempo que passamos juntos, mas é como se fossemos dois velhos à espera do abraço da morte que deixará um de nós só. Até quando? Inevitável o reencontro.
Que venha o arrependimento - estou pronto - vou sem freio ao seu encontro disposto a te dizer: “Você me faz bem, e sou seu até quando eu caber em você, e não sobrar.”
De braços abertos ou cabeça baixa, é sua a resposta e minha a expectativa.

31 dezembro 2011

Esqueça, não vou me apaixonar

Não vou me apaixonar por você, simples assim. 
E nenhum efeito vão me causar estes seus olhos amedrontados, os meios sorrisos fugidios e nem mesmo a maneira como você tenta se explicar de qualquer que seja a situação que meu olhar incisivo condena. Esqueça, não vou cair nas armadilhas de seus atos perniciosos que visam me agradar e, enfim, me capturar. Não serei seu par para mais uma dança, e nem adianta tentar me convencer mostrando as músicas de sua predileção e buscando nelas a trilha sonora em comum. Quem sabe entre elas esteja a nossa música? Não, não vou me entregar. Amigos, apertos de mãos e talvez algumas envergonhadas trocas de olhares, só isso e nada, mas nada mais mesmo. E a gente brigando, e rindo, fingindo que nos odiaríamos para todo o sempre e as mãos e faces rígidas – arianas – se desmanchando em sorrisos bobos e caretas inocentes. É, tenho de confessar, é bom estar com você, para você.
Eis que segue o fluxo cotidiano, e a certeza de que não vou me apaixonar, não posso e também não quero.
Apaixonar-se para quê? Não insista, desista de me seduzir assim de viés. Mas houve aquele beijo, as suas mãos firmes e o gosto acre na minha boca, afinal não era nela que você bebia. Perdi o chão, senti-me inadequado, um completo imbecil. Diante da realidade não me restou nenhum lapso de dignidade ou autocontrole, sem pensar fugi.
Ainda bem que não vou me apaixonar, mesmo doendo e me fazendo entristecer, além desta sensação de “por quê?” aqui em mim sei que vou melhor assim sem querer você comigo.

18 outubro 2010

Aquele mesmo vazio

Mais uma vez me encontro/perco no quarto sem luz, ameaçado pelas paredes sufocantes. Inadequação, medo, o mesmo vazio que insiste em se fazer presente, as lágrimas sempre contidas que teimam em não verter o negrume absoluto interior. O ar se torna excessivo, e uma dor inexplicável, cortante como aquela lâmina - última companheira dos suicidas.
A bússola aponta o norte, mas lá também não é o meu lugar: “Onde está ‘Pasárgada’, lá minha dor inexiste?”. O cigarro não invade o espaço, as tragadas não têm efeito e entre uma e outra ouço pessoas cantarem uma música religiosa que diz: “Deus do impossível...”, inveja dos que têm fé. Busco nos escaninhos do meu inconsciente alguma imagem que sirva de acalanto, e encontro o mar. Inconstante, absoluto em si, belo, tão repleto de significados; tenho a sensação que ao tocar o mar resvalo o mundo por completo. As águas – talvez das minhas emoções – buscam-se a todo instante e correm para o oceano que liga todos os continentes; e sinto que também faço parte dessa grande engrenagem natural denominada “vida”. Mas a vida, às vezes, falta-me e ela (a vida) corrói, abandona, ignora e pesa. Quero fugir, mas para onde? Absorto, invadido pelo desespero e violentado pela angústia e vazio...
De súbito um sorriso brota em meu rosto estéril, e percebo um brilho em meus olhos que tentam afastar a escuridão. Um “Eu já te amo”, escrito para mim (justo nesse momento) e a dor recua, não sem lutar bravamente por seu território, afinal tenho consciência que o “Eu já te amo” é uma pequena mentira, mas algumas mentiras nos salvam. A dor continua aqui a mordiscar cada centímetro de carne do meu corpo inútil, o medo está à espreita, mas aquele despretensioso “Eu te já amo” cravou uma semente de felicidade que brota frágil e sem pressa no meio desse vazio quase absoluto.

12 fevereiro 2009

No meu corpo ao menos uma tatuagem

Não é de hoje que tenho fascinação por tatuagens, é comum eu me encontrar olhando incisivamente às tatuagens alheias a tentar decifrar seus significados, seja para eu ou seus donos.Falo que um dia vou tatuar meu corpo, isso há tempos, e o medo sempre me impede.Mas hoje foi demais, uma garota que conheço e é sinônimo de tradição e caretice me apareceu tatuada (uma borboleta azul no peito), isso foi uma afronta! Como assim, ela simplesmente me aparece tatuada e eu nada.Resolvi, agora é questão de honra, ainda este ano vou ganhar asas, pois o desenho que vai me acompanhar por toda minha vida já está escolhido.Serão as asas da imaginação, da liberdade, leves asas do amor.
Muito me agradaria cravar na pele o nome do verdadeiro e grande amor, mas...
Mesmo brincando com um imberbe garoto, ele se apavorou com a idéia e acredito teve meus pensamentos o acompanhando antes de dormir.
Sem mais blá blá blá... só volto neste assunto quanto enfim marcar meu corpo de forma consciente.Sem medo, dor ou arrependimento.