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02 julho 2013

A vida em stand by


É foda quando, de uma hora para outra, você percebe o quanto sua vida está uma merda. Isso mesmo, você desatento na zona de conforto e de repente...
...de repente aparece uma pessoa.
E você inconscientemente torce para ele entrar no chat do facebook, quer rir junto, marca para fumar um cigarro, diz não saber o motivo - mas que ele te faz bem, só dorme depois de dar “boa noite”, e acorda com o primeiro pensamento nele. Assim, como num estalar de dedos, esta pessoa entra na sua rotina e aquele outro amor (o que não frutifica, mas te acompanha. Enfim...) ele começa a esmaecer.
Eis o tapa na cara, dado pela vaidosa e às vezes ruidosa e apressada vida, e então o click: “Que merda eu estou fazendo da minha vida ou melhor, não fazendo?”
A percepção evidente de que a vida estava passando sem ao menos você perceber os movimentos mais básicos, vivendo em stand by.
O que fazer? Não dá para correr de si mesmo. A dicotomia entre o novo brilho nos olhos que ele te traz ou a luz habitual que o outro ainda fornece é a grande questão que a vida jogou no seu colo a fim de que você, e só você resolva.
Aos poucos o novo cara toma conta dos espaços, e você percebe que a sua vida pode não ser aquela que você merece, mas está melhor. E o outro amor, aquele morno, esfria e rodopia pelo ralo da pia. A rotina silenciosa e os desencantos ainda estão aqui, mas agora há motivos para ao menos questionar esta vida malvivida e sufocada pela mesmice e falta de horizonte – horizonte este que ele insiste em apontar e lá está.

18 outubro 2010

Aquele mesmo vazio

Mais uma vez me encontro/perco no quarto sem luz, ameaçado pelas paredes sufocantes. Inadequação, medo, o mesmo vazio que insiste em se fazer presente, as lágrimas sempre contidas que teimam em não verter o negrume absoluto interior. O ar se torna excessivo, e uma dor inexplicável, cortante como aquela lâmina - última companheira dos suicidas.
A bússola aponta o norte, mas lá também não é o meu lugar: “Onde está ‘Pasárgada’, lá minha dor inexiste?”. O cigarro não invade o espaço, as tragadas não têm efeito e entre uma e outra ouço pessoas cantarem uma música religiosa que diz: “Deus do impossível...”, inveja dos que têm fé. Busco nos escaninhos do meu inconsciente alguma imagem que sirva de acalanto, e encontro o mar. Inconstante, absoluto em si, belo, tão repleto de significados; tenho a sensação que ao tocar o mar resvalo o mundo por completo. As águas – talvez das minhas emoções – buscam-se a todo instante e correm para o oceano que liga todos os continentes; e sinto que também faço parte dessa grande engrenagem natural denominada “vida”. Mas a vida, às vezes, falta-me e ela (a vida) corrói, abandona, ignora e pesa. Quero fugir, mas para onde? Absorto, invadido pelo desespero e violentado pela angústia e vazio...
De súbito um sorriso brota em meu rosto estéril, e percebo um brilho em meus olhos que tentam afastar a escuridão. Um “Eu já te amo”, escrito para mim (justo nesse momento) e a dor recua, não sem lutar bravamente por seu território, afinal tenho consciência que o “Eu já te amo” é uma pequena mentira, mas algumas mentiras nos salvam. A dor continua aqui a mordiscar cada centímetro de carne do meu corpo inútil, o medo está à espreita, mas aquele despretensioso “Eu te já amo” cravou uma semente de felicidade que brota frágil e sem pressa no meio desse vazio quase absoluto.

12 junho 2009

Sobre o 12 de junho

Sim, a efeméride é cruel com aqueles que não estão enquadrados no sistema, hoje é o temível “12 de junho”. Com a experiência adquirida ao longo dos anos era para eu simplesmente conhecer todas as artimanhas para sobreviver à data, mas...
É sempre a mesma coisa, a depressão toma conta de cada pedaço meu, e a mente que nunca mente fica ainda mais agitada e cogita todos os amores mal resolvidos, vida afora. A incompetência é toda minha e, de novo, estou só e sem a menor perspectiva de encontrar alguém compatível – sim “compatível”, pois ao menos no príncipe encantado já deixei de acreditar. Flertei com o suicídio, acredito na beleza da obra. Não amanhecer no dia 12 de junho, os comentários, a tristeza compartilhada, o horror, a perplexidade e o egoísmo extremo de não se preocupar com o outro. Só eu, sem eu.
Só que me falta a intensidade necessária ao ato, sem contar na carta/bilhete de despedida que de acordo com Luiz F. Veríssimo é impossível ser escrita em um computador pessoal – ratifico.
Findar não consigo a vida, então tento a fuga da realidade concreta, enganar a mim que nada de extraordinário acontece e finjo (os outros até engano, porém eu acreditar é impossível). A vida dói, sangra, pesa, incomoda, esvai, sufoca e ri da minha infelicidade.
Se o sofrimento é inevitável, que seja completo e dilacerante acompanhado de algumas muitas doses de uma bebida barata qualquer. Brindemos ao não-amor, à solidão, às bocas secas, aos corpos intocados e à presença de lucidez. E se o flerte com o Sr. Suicídio não for adiante, o dia 13 reserva a possibilidade de ele (o cara imperfeito que eu quero para minha vida) ler este texto e, mesmo que tardiamente, me salvar das garras da faminta depressão estendendo sua mão para juntos nos jogarmos no abismo do amor.