04 março 2012

A teoria dos fones de ouvido


Acredito que todos, ao menos uma vez nesta imensidão que é a vida, já criaram uma teoria. Evidente que a tal teoria não tem o menor embasamento técnico-científico e, ao menos aos olhos do criador, é de um ineditismo tamanho que chega mesmo a entusiasmar. Também acredito que um cem número dessas personalíssimas e “inéditas” teorias integram o vasto universo do senso-comum ou mesmo do inconsciente coletivo, enfim... Deixando de lado esta filosofia de boteco – sempre regada a bebida barata e pensadores cheios de si – eis que também tenho minha teoria, “a dos fones de ouvido”, que é de uma simplicidade e obviedade que quase me envergonho de ser o pai de tal pensamento, fazer o quê? Um brinde à mediocridade em mim. A questão é simples, se o possuidor dos fones de ouvido oferecer um dos auscultadores a você pode apostar alto que esta criatura tem interesse afetivo/amoroso/emocional por sua pessoa. Os fones do ouvido (ou headphones – acho chique este estrangeirismo) é o símbolo maior da alienação e fuga, a música invade os tímpanos, envolve a mente e que se dane o mundo lá fora. O fone inviabiliza o contato social, e quem o utiliza sabe bem disso. Não por acaso os “manos” que de posse de seus aparelhos celulares multiuso “made in china” barbarizam o ambiente sonoro comum, pois eles não querem o isolamento, mas sim que o universo ao seu redor seja um reflexo dele, do seu exagero e gosto musical duvidoso, o prazer para eles (se for no transporte coletivo beira à catarse) é interagir, dividir com todos a questionável alegria existente na periferia urbana. Não apenas elegância, bom-senso, e respeito à coletividade, mas acima de tudo egoísmo, é como percebo o uso de fones de ouvido. Mas em um dia desses qualquer talvez alguém ofereça um de seus fones de ouvido, prepare-se o “amor” ronda este ato. Mesmo sendo uma música de conteúdo pouco ou nada romântico, este som que te faz desperceber o mundo é uma parte importante da personalidade do outro e ele quer dividir isto com você, às vezes mesmo sem saber. São os tortuosos e matreiros caminhos do amor. Ninguém divide uma música, de forma tão íntima, com aqueles que estão na vala dos comuns, dividir os fones é tornar o outro especial. Uma vez conectado pelos fones ambos vão parecer ridículos (parte fundamental do estar apaixonado) e a cada olhar, meios sorrisos de aprovação, franzir de sobrancelhas, ou mesmo arregalar de olhos de espanto, é a entrega muda ao desejo de conhecer, e quem sabe pertencer ao outro. Ele dividiu o fone comigo, ficamos com cara de bobos, rimos, discordamos, e até cantamos juntos. Sua boca nega, mas seus fones entregam que você está a fim de estar aqui em mim. Sobe o som...

3 comentários:

  1. Interessante a sua teoria. E acho que você está certíssimo com relação a todo mundo já ter maquinado alguma teoria que julga coerente hahaha. Uma que eu acredito muito é essa aqui: http://uivosdoalem.blogspot.com/2010/09/o-bonito-o-inteligente-e-o-carismatico.html

    Abraços!

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  2. Primeiro de tudo: NADA em você é medíocre.
    Eu também tenho as minhas teorias, que por serem tao insanas nao dividirei nunca com o mundo!
    Sou usuária assídua de fones de ouvido, e confirmando a tua teoria, só divido com quem eu amo. Nessa vida dividi com duas pessoas: Tiago e com o meu marido.
    Beijooosss

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