Quem conhece, não esquece. A frase citada é ideal para descrever a experiência de ir ao “Forró do Wilson”, e após um período de ostracismo ele retorna ao roteiro alternativo da diversão noturna, agora sob nova direção. O local continua o mesmo, ou seja: escuro, úmido, pequeno e repleto de casais dançando (se é que se pode classificar aquele ‘esfrega-esfrega’ como dança).
O público frequentador é variado: tem os que gostam de forró (na maioria nordestinos), drogadinhos insones, mulheres desesperadas à procura, jovens senhoras, outras nem tão jovens assim, desocupados em geral, trabalhadores noturnos, passantes desavisados e toda sorte de pessoa que tem coragem de parar diante da aglomeração, que toma conta da rua. É evidente que me divirto muito quando vou ao “Forró do Wilson”, fico do lado de fora observando o que acontece, encontro conhecidos dos bares da vida, alguns amigos, revejo objetos do desejo e ainda consigo me surpreender com típicos personagens.
Alguns frequentadores fazem parte do folclore local, e é impossível não os encontrar. O retorno, a tão especial evento, mereceu a quebra do meu protocolo, e eu bebi muitas cervejas geladas, enfrentei à massa dançante a fim de comprar bebidas, fumei alguns cigarros – sem nem mesmo olhar a marca e fui simpático com toda e qualquer criatura.
E como não há limites para o exótico a noite reservou uma garoa surpresa me obrigando a me abrigar embaixo do toldo do estabelecimento, na “boca” do forró, ai, ai...
Outra diversão local é avaliar a qualidade estética dos lixeiros (ou coletores de lixo como preferem ser chamados), mas a fantasia sexual exige a nomenclatura “lixeiro”, são muitos caminhões que passam repletos de jovens que algumas vezes merecem maior atenção.
Finalizando a saga, ouvi sutilezas masculinas com sotaque específico – me fiz de desentendido, mas o dançante rapaz gritou seus desejos íntimos para o fim da noite (delicado que só); um outro menos intenso até tentou desenvolver uma conversa amiga que no fundo tinha intenções claras e sexuais. Curioso era que ambos não ultrapassavam os 1m e 65cm de altura. Estava meio bêbado e alegre em demasia, mas voltei para casa na companhia de meu amigo Fabi, da Bebel e do Dherick que se despediram no meu portão às 05 horas e 50 minutos. Já na cama refleti a aventura e reiterei a certeza de que voltarei muitas outras vezes ao caldeirão bizarro-cultural que é o “Forró do Wilson”.